Por Siqueira Costa Júnior
Agora que as eleições acabaram, posso fazer um desabafo que guardei durante toda a campanha.
Simões Filho viveu, na minha visão, uma das eleições mais estranhas que já acompanhei. O que vi foi uma tentativa de controlar quem entrava na cidade, quem podia fazer campanha e quem teria espaço para disputar o voto.
Havia um deputado federal que tinha o ex-prefeito e sua filha dentro do próprio gabinete. E, por causa dos acordos políticos existentes entre eles, criavam-se dificuldades para a entrada de outros candidatos a deputado federal em Simões Filho. Na minha avaliação, os acordos pessoais acabaram sendo colocados acima do interesse da população e da possibilidade de outros parlamentares levarem recursos e melhorias para a cidade.
A política pode ter acordos. O que não pode é transformar esses acordos em imposição.
E as urnas falaram.
Em 2022, Kátia Oliveira teve 26.470 votos em Simões Filho, 42,36% dos votos válidos. Em 2026, caiu para 14.687 votos, 23,35%. Foram 11.783 votos a menos, uma redução de 44,52% na votação que havia obtido quatro anos antes.
Os números mostram uma mudança muito grande.
Não cabe a mim dizer que uma coisa necessariamente causou a outra. Mas fica a reflexão: nenhuma estrutura política é dona do voto. A imposição pode até criar força, mas não substitui a vontade popular.
Eu participei dessa eleição. Levei Leo Prates para Simões Filho e trabalhamos para construir sua candidatura. Saímos de 880 votos na eleição anterior para 2.060 votos agora.
E sei também do que aconteceu durante a minha ausência e na ausência de pessoas de confiança do deputado Leo Prates. Kits do deputado que saíram de dentro do próprio comitê chegaram a conter santinhos de outros candidatos a deputado federal. Na minha avaliação, houve pessoas infiltradas tentando prejudicar o nosso trabalho.
Mas não adiantou.
Não adiantou porque o eleitor decidiu.
Por isso faço esse desabafo agora. A eleição acabou. Os resultados estão postos e os palanques foram desmontados.
Também faço questão de reconhecer quem, na minha visão, teve uma postura diferente.
Parabenizo o prefeito Del, a primeira-dama Finha e todos que caminharam ao lado de Leo Prates. Del demonstrou disposição, hombridade e lealdade aos parceiros que acolheu. Até o último minuto, honrou os acordos políticos que havia firmado, tanto para a eleição de prefeito quanto para a disputa dos deputados.
E acredito que Del já pagou a sua conta política.
Agora é hora de Simões Filho respirar. É hora de abrir espaço, renovar as forças políticas e permitir que novos deputados estaduais e federais possam trabalhar pela cidade, levando recursos, projetos e oportunidades.
Queremos uma Simões Filho grande, próspera e da qual seu povo possa se orgulhar.
Se antes existia a sensação de que uma família queria ser dona de Simões Filho, que fique claro: não será outra família que ocupará esse lugar.
Cidade não tem dono.
O prefeito Del chegou para colocar ordem, abrir novos caminhos e trazer novos ares para Simões Filho. E cabe agora ao povo continuar sendo o verdadeiro dono da cidade.
Simões Filho pertence ao seu povo. E quem decide o futuro da cidade é o eleitor.

Nota do colunista
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Siqueira Costa Júnior, pai, avô, empresário, militante político e motorista de aplicativo nas horas vagas. Um cidadão que paga seus impostos, conhece a realidade das ruas e acredita que a política deve ser feita com participação, diálogo.
Não escrevo a partir de uma cadeira distante da realidade. Escrevo como alguém que participa, acompanha, discorda, apoia, critica e, acima de tudo, acredita que a política precisa estar a serviço das pessoas.
Esta é a minha opinião. O leitor tem o direito de concordar, discordar e tirar suas próprias conclusões.





















