Veja vídeo de uma participante @bruleticiass após a materia.
Evento promovido por Bell Marques reuniu milhares de corredores, cobrou caro e falhou no básico: água, hidratação e cuidado com a saúde dos participantes
Salvador amanheceu hoje com mais um evento de corrida de rua — desses que já entraram no calendário informal da cidade. O problema é que, desta vez, a tradição veio acompanhada de um combo indigesto de falhas. A Corrida 100% Você, promovida pelo cantor de axé Bel Marques e já expandida para outras cidades, deixou um rastro de reclamações, vídeos e indignação nas redes sociais.
Segundo relatos de participantes, cerca de 12 mil pessoas se inscreveram no evento, pagando em média R$ 300 pelo kit. Um faturamento robusto, com reforço de patrocinadores, que não se refletiu na estrutura oferecida. O resultado foi previsível: corredores passando mal, calor excessivo, poucos pontos de hidratação e falta de água ao longo do percurso.
Para piorar, itens básicos do pós-prova também viraram alvo de críticas. As tradicionais bananas, usadas para ajudar na prevenção de câimbras, estavam verdes — detalhe pequeno no papel, mas simbólico do nível de descuido percebido por quem participou. Também houve queixas sobre a ausência de caminhões-pipa para refrescar os atletas e aliviar o impacto do calor intenso, prática comum em eventos bem organizados, pessoas sendo atendidas no chão sem terem macas.
Nas redes sociais, o estrago foi imediato. Vídeos, depoimentos e críticas se multiplicaram, todos apontando para o mesmo gargalo: uma corrida com padrão de cobrança premium, mas entrega abaixo do aceitável. A percepção geral é de que o foco financeiro atropelou o planejamento e, principalmente, a segurança.
Fica a pergunta que ninguém quer responder, mas todo mundo já está fazendo: até onde vai esse modelo de evento que prioriza arrecadação e marketing, mas falha no cuidado básico com quem corre? Será que os órgãos esportivos competentes vão se manifestar? A Prefeitura de Salvador, o Governo do Estado e os fiscalizadores vão agir — ou vão esperar algo mais grave acontecer?
No fim das contas, corrida de rua não é só selfie, medalha e palco. É saúde, logística e responsabilidade. Quando isso falha, deixa de ser esporte e vira risco. E risco, em evento desse porte, não é detalhe — é alerta vermelho.



















