O lançamento do “Plano emergencial para proteção às mulheres quilombolas defensoras dos direitos humanos”, com 85 páginas, marcou o primeiro dia do encontro nacional com mais de 500 mulheres de comunidades tradicionais de todo o país. 

A terceira edição do evento está sendo realizada na região administrativa do Gama (DF) até o próximo domingo (14). A reunião celebra os 30 anos da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
Um dos pontos destacados no plano emergencial é a necessidade de políticas públicas efetivas. O documento apresentado enumera demandas a serem atendidas pelas diferentes esferas de poder.
A entidade solicita garantias de proteção coletiva e territorial, análises interseccionais de gênero e raça, direitos sociais e infraestrutura, valorização dos saberes e práticas quilombolas, superação das falhas estruturais nos programas de segurança e o fortalecimento de equipes multidisciplinares de apoio com respostas rápidas aos riscos enfrentados.
Segundo a coordenadora do Coletivo de Mulheres e articuladora política da Conaq, Selma Dealdina, o plano pretende responder ao agravamento dos conflitos agrários e ambientais que vulnerabilizam lideranças quilombolas femininas em todo o país.
A iniciativa prevê ações práticas a curto prazo, como a publicação de uma cartilha pedagógica e a organização de formações integradas voltadas para a articulação e incidência política dessas mulheres.
Filme
Além do plano, o evento exibiu o documentário Cafuné, que retrata a tensão vivida por lideranças comunitárias ameaçadas e o impacto das mortes de mulheres, como Mãe Bernadete, assassinada em agosto de 2023.
Realizado por iniciativa da Conaq, o filme dirigido por Gabriela Barreto, Maryellen Crisóstomo e Nathália Purificação faz parte de um projeto a ser entregue a autoridades.
De acordo com a coordenadora executiva da Conaq, Sandra Braga, o encontro nacional tem como objetivo compartilhar as dores, lutas e ideias das mulheres em suas comunidades.
“Fortalecer os territórios, nossa ancestralidade e tudo o que representamos”, afirmou.
Nesse primeiro dia, a jornalista Maria Júlia Coutinho foi convidada a conversar com as lideranças quilombolas sobre comunicação, ressaltando que o modo de vida das comunidades deve ser celebrado.
“O quilombo também é um lugar onde se cria alegria. Não uma alegria ingênua, que ignore os problemas quilombolas, mas uma alegria que nos impulsiona rumo à transformação”.
Justiça climática
Segundo os organizadores, o lema do evento “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia” traduz a necessidade de resistência e a ancestralidade na proteção dos biomas nacionais.
Para a Conaq, é essencial unificar estratégias contra os impactos das mudanças climáticas nos territórios tradicionais. O evento também reserva espaço para agricultoras familiares, curandeiras, benzedeiras e parteiras de diferentes regiões, buscando representar a diversidade dos produtos dos biomas.
“Nos territórios, quem lidera a produção são as mulheres. Seja na agricultura familiar, na medicina tradicional, no artesanato ou na produção de farinha, cada estado traz uma identidade única determinada pelo seu bioma”, declarou a coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq, Cida Souza.
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