Decisão aponta maus-tratos, falhas sanitárias e risco de extinção; animais deverão ser encaminhados a santuários
O abate de jumentos na Bahia foi suspenso por decisão da Justiça Federal na última segunda-feira (13). A medida, assinada pela juíza Arali Maciel Duarte, interrompe uma atividade que vinha sendo alvo de críticas há mais de uma década por organizações de proteção animal.
A decisão se baseia em três pontos centrais: denúncias de maus-tratos na criação, irregularidades sanitárias nos abatedouros e o impacto direto na redução da população da espécie, levantando risco de extinção.
Além de proibir o abate, a Justiça determinou que os animais atualmente mantidos nessas condições sejam transferidos para santuários, mudando completamente a dinâmica do setor no estado.
O tema já vinha sendo debatido desde os anos 2010. Apesar de tentativas de regulamentação pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) em 2016 e 2020, a avaliação judicial foi de que as normas não estavam sendo cumpridas.
Nos últimos anos, a atividade ganhou força por conta da exportação. A cidade de Amargosa se consolidou como principal polo, com envio de animais principalmente para a China. O interesse internacional está ligado ao couro dos jumentos, utilizado na produção do ejiao, substância da medicina tradicional chinesa associada a benefícios como aumento de energia e rejuvenescimento.
Dados do Ministério da Agricultura indicam que, entre 2018 e setembro de 2025, mais de uma tonelada do produto foi exportada, movimentando cerca de 5,5 milhões de dólares (aproximadamente R$ 27,5 milhões).
Com a nova decisão, o mercado enfrenta um freio imediato, enquanto cresce a pressão por alternativas que conciliem atividade econômica e proteção animal.

















