António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), declarou que o mundo provavelmente não conseguirá limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau Celsius (°C) nos próximos anos. Em um evento comemorativo dos 75 anos da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), realizado nesta quarta-feira (22) em Genebra, na Suíça, ele ressaltou, contudo, que a situação não é irreversível, desde que sejam adotadas medidas urgentes e eficazes para combater as mudanças climáticas.

O aumento de 1,5°C acima da temperatura média da Terra no período pré-industrial, do século 19, é considerado o limite para evitar as piores consequências das mudanças climáticas. Ultrapassar esse limite, segundo especialistas, pode levar a um “ponto de não retorno”.
Para estabilizar as temperaturas nesse nível, até 2035, é necessário reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 57%, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
A meta de limitar o aquecimento global a bem abaixo de 2°C, com o objetivo de restringir o aumento a 1,5°C, foi estabelecida pelas nações no Acordo de Paris, em 2015. Os países se preparam agora para revisar seus compromissos na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontecerá em Belém no próximo mês.
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Até o início deste mês, apenas 62 países haviam formalmente apresentado suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que são as metas estabelecidas por cada país para reduzir as emissões de gases do efeito estufa e se adaptar às mudanças climáticas. Outros 101 países se comprometeram a apresentar suas NDCs até a COP30.
Guterres informou que se reuniu com cientistas na semana anterior para discutir a melhor estratégia e mensagem a serem transmitidas durante a COP no Brasil.
“É evidente que não seremos capazes de conter o aquecimento global abaixo de 1,5 grau nos próximos anos. A ultrapassagem é agora inevitável, o que significa que teremos um período, mais ou menos prolongado e intenso, com temperaturas acima de 1,5 grau nos próximos anos”, afirmou.
“No entanto, isso não significa que estamos fadados a viver com a perda de 1,5 grau. Se houver uma mudança de mentalidade e as pessoas encararem seriamente a necessidade de resolver o problema, é possível acelerar o processo para atingir a neutralidade de carbono e, posteriormente, alcançar emissões negativas no futuro, de modo que as temperaturas possam voltar a cair e o limite de 1,5 grau ainda possa ser alcançado até o final do século, desde que sejam implementadas medidas ambiciosas que representem uma verdadeira mudança de paradigma”, acrescentou.
Soluções e financiamento
Segundo o chefe da ONU, “felizmente”, a ciência e a economia estão alinhadas com essa meta. Nesse sentido, para a COP30, ele solicitou NDCs mais ousadas e um “plano confiável” para mobilizar US$ 1,3 trilhão anualmente em financiamento climático até 2035 para os países em desenvolvimento.
“O aquecimento global está levando nosso planeta à beira do abismo. Cada um dos últimos dez anos foi o mais quente da história. O calor dos oceanos está quebrando recordes enquanto destrói ecossistemas. E nenhum país está imune a incêndios, inundações, tempestades e ondas de calor. Como sempre, os países mais pobres e vulneráveis são os que mais sofrem – especialmente os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos”, disse Guterres.
Para ele, à medida que a crise climática se intensifica, também aumentam as soluções para ajudar as comunidades a se adaptarem, como os sistemas de alerta precoce, que foram o foco do encontro da OMM em Genebra. A meta da organização é ter sistemas de alerta totalmente implementados em todos os lugares até 2027.
“Sabemos que a mortalidade relacionada a desastres é pelo menos seis vezes menor em países com bons sistemas de alerta precoce. E apenas 24 horas de aviso prévio antes de um evento perigoso podem reduzir os danos em até 30%”, argumentou. “Vamos continuar trabalhando juntos para usar a ciência para realizar a ação – e a justiça – de que as pessoas e o planeta precisam urgentemente”, disse o secretário-geral.
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