Levantamento confirma polarização entre os dois principais candidatos; margem de erro coloca disputa em empate técnico. Cenário sem João Roma mostra ligeira vantagem para Neto.
Por um jornalista com 30 anos de cobertura política: A mais recente pesquisa Real Time Big Data, divulgada em 22 de setembro de 2024, confirma o que já se desenhava no cenário eleitoral baiano: a disputa pelo Palácio de Ondina será novamente polarizada entre ACM Neto (União Brasil) e o governador Jerônimo Rodrigues (PT). Neto aparece com 40% das intenções de voto, contra 36% de Jerônimo — diferença que, dentro da margem de erro de três pontos percentuais, configura empate técnico. O levantamento, realizado nos dias 18 e 19 de setembro com 1.200 entrevistados por telefone e com 95% de confiança estatística, reedita o embate de 2022, quando Jerônimo venceu Neto no segundo turno. A persistência dessa polarização sugere que, apesar das mudanças de alianças e do cenário nacional, o eleitorado baiano continua dividido entre esses dois polos políticos.
Num segundo cenário simulado, sem a candidatura de João Roma (PL) — que hoje tem 5% —, ACM Neto cresce para 43%, enquanto Jerônimo se mantém estável em 36%. Isso indica que parte do eleitorado de Roma pode migrar naturalmente para Neto, reforçando a tese de que o ex-prefeito de Salvador pode se beneficiar da consolidação da oposição. Kleber Rosa (PSOL) e João Carlos Aleluia (Novo) permanecem com índices residuais — 2% e 1%, respectivamente —, sem impacto significativo no tabuleiro eleitoral. Chama atenção também o percentual de 10% de votos brancos e nulos — um sinal de insatisfação ou descrença em parte do eleitorado. Os indecisos somam 6%, um contingente que, embora pequeno, pode ser decisivo num pleito tão equilibrado.
Para entender a dinâmica atual, é essencial olhar a evolução das pesquisas ao longo do ano: Em junho de 2024, pesquisa Real Time Big Data apontava ACM Neto com 38%, Jerônimo com 35%, João Roma com 7%, brancos/nulos em 12% e indecisos em 8%. Em agosto, levantamento do Instituto Opinião mostrou Neto com 39%, Jerônimo com 37%, Roma com 6%, brancos/nulos em 11% e indecisos em 7%. Agora, em setembro, a nova Real Time Big Data traz Neto com 40%, Jerônimo com 36%, Roma com 5%, brancos/nulos em 10% e indecisos em 6%.
Os números mostram uma disputa congelada: há meses, Neto e Jerônimo oscilam dentro de uma faixa estreita, sem que nenhum dos dois consiga abrir vantagem significativa. A queda de João Roma — de 7% em junho para 5% em setembro — ainda não se reverteu em ganhos expressivos para nenhum dos líderes, embora o cenário simulado aponte uma absorção parcial por Neto. O que se vê, portanto, é um eleitorado maduro, definido e pouco suscetível a mudanças bruscas. A eleição tende a ser decidida nos detalhes: desempenho em debates, adesões de última hora, mobilização de bases e, sobretudo, na capacidade de cada candidato de converter o voto útil em seu favor — especialmente entre os 6% ainda indecisos e os 10% que ameaçam anular o voto. Não há surpresas no horizonte. O que há é uma disputa acirrada, técnica e previsível — exatamente como se esperaria de uma Bahia que, há décadas, escolhe seus governantes com cuidado, pragmatismo e olhos bem abertos.





















