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De acordo com os dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o mês de agosto de 2025 apresentou uma redução significativa no número de focos de queimada em todo o país, quebrando a tendência de aumento observada nos anos anteriores. Com exceção das regiões do Pampa e da Caatinga, o mês registrou o menor número absoluto de focos desde 2019, considerando o total até o dia 22 de agosto. O monitoramento indica uma queda expressiva, de 59% em comparação com o total de focos registrados por satélite. Recentemente, na última quarta-feira (20), o Mapbiomas já havia divulgado um relatório que indicava a menor área queimada em julho desde 2019.

Este resultado positivo ocorre durante o período seco, que se estende de maio a outubro. Em 2024, o país havia registrado 97.742 focos de queimada entre 1º de janeiro e 22 de agosto, enquanto em 2025, esse número foi de 39.740. Apenas nove dos 27 estados apresentaram um aumento no número de focos em relação ao ano anterior: Amapá, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rondônia, Rio Grande do Sul e Sergipe. Desses, apenas Bahia, Piauí e Rio Grande do Sul superaram a marca de 1.000 focos. Apesar da queda acentuada de 69%, Mato Grosso continuou sendo o estado com o maior número de focos, embora tenha apresentado o segundo melhor resultado em sua série histórica, superando apenas o ano de 2011, quando foram registrados 5.468 focos.
Diversos fatores podem explicar essa melhora. O Mapbiomas aponta que a principal razão é o retorno das chuvas no inverno, mas também a redução no uso do fogo como ferramenta de preparação do solo, especialmente em estados da região amazônica. Em julho, já haviam destacado que o Cerrado foi o bioma com a maior área queimada no período, totalizando 1,2 milhão de hectares – metade de toda a área queimada no Brasil em 2025. Na Amazônia, a área queimada entre janeiro e julho foi de 1,1 milhão de hectares, uma diminuição de 70% em relação ao mesmo período do ano anterior, representando a menor área queimada na região desde 2019. Esses dados se mantêm considerando o mês de agosto, de acordo com o levantamento do INPE.
Em São Paulo, onde a Defesa Civil estadual registrou uma redução de 75% nos focos na primeira quinzena do mês, houve investimento em monitoramento e treinamento de equipes locais de resposta, além de melhores condições climáticas. O estado mantém equipes de prontidão desde o início da estiagem. Entre 1º e 15 de agosto, foram registradas 148 ocorrências, em comparação com 548 em 2024.
Todo o centro, norte e noroeste paulistas estão em estado de alerta desde a última quarta-feira, quando foram identificados como áreas de risco elevado para queimadas e incêndios espontâneos. O clima em todo o estado permanece quente e seco, mas deve começar a melhorar a partir de amanhã, com temperaturas mínimas em torno de 15 graus. A umidade relativa do ar também deve aumentar. Nesta sexta-feira (22), cerca de 50 municípios registraram umidade abaixo de 20%, com Ituverava, cidade ao norte do estado, próxima a Barretos e Ribeirão Preto, apresentando a menor umidade, de apenas 11%. A região é uma grande produtora de cana-de-açúcar e laranjas e foi bastante afetada pelo fogo em 2024.
Avanço da seca principalmente no Nordeste
Na mesma semana, a Agência Nacional de Águas (ANA) divulgou uma atualização do seu Monitor de Secas, indicando um abrandamento do fenômeno nos estados do Amazonas e Sergipe. Por outro lado, a seca se intensificou em julho em 14 estados: Alagoas, Acre, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. Os estados ficaram livres do fenômeno de seca, registrando volumes de chuva acima da média.
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