O movimento do presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, de fechar acordo com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) para manter o comando da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, pode custar caro à legenda.
Grande parte do capital eleitoral do partido está concentrada em figuras ligadas ao grupo político de ACM Neto e do prefeito Bruno Reis. É o caso do deputado federal Leo Prates, que sozinho garantiu expressivos 185 mil votos na última eleição, e de Félix Mendonça Júnior, que somou 77 mil. Prates já sinalizou que, caso o PDT mantenha-se na base do governador, não hesitará em deixar a sigla.
O gesto de Félix, embora garanta espaços no governo petista, contradiz o alinhamento histórico da bancada pedetista que ainda está ao lado de Bruno Reis. Mais do que uma jogada política, o acordo pode se transformar em um erro estratégico: ao trocar o respaldo de lideranças com alta votação por um espaço na máquina estadual, o PDT arrisca-se a perder sua maior força — a base eleitoral consolidada nas urnas.
O que se desenha, portanto, é um PDT cada vez mais distante de seu núcleo tradicional em Salvador e mais dependente de um alinhamento com o governo estadual que, até agora, não garante retorno proporcional ao custo político dessa aproximação.

















