ou 2023.
A Embraer, fabricante brasileira de aeronaves, conseguiu evitar uma tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos e não pretende realizar demissões no país este ano. A empresa expressa confiança em conseguir reduzir a atual taxação de 10% sobre as aeronaves e peças que exporta para os americanos.
Esta declaração foi feita nesta terça-feira (5) pelo diretor-executivo da empresa, Francisco Gomes Neto, durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre da companhia.
“Nosso foco é restaurar a tarifa zero. Ficamos muito felizes em passar de 50% para 10%, o que diminuiu bastante o impacto para nossos clientes. Estamos trabalhando com eles para fazer a entrega das aeronaves. Mas, em paralelo, estamos nos esforçando para restaurar a tarifa zero”, afirmou.
A Embraer emprega 18 mil pessoas no Brasil. Desde abril, a empresa, que exporta metade de sua produção para os Estados Unidos, está sujeita a uma tarifa de 10% determinada pelo presidente americano, Donald Trump.
Nas últimas semanas, havia o temor de que a taxação subisse para 50%. No entanto, na quarta-feira (30), o governo americano decidiu isentar aeronaves, motores, peças e componentes de aviação do tarifaço.
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Empregos
De acordo com a companhia, a cobrança de 10% que entrou em vigor em abril representa um custo de US$ 65 milhões, aproximadamente R$ 350 milhões. Desse valor, 20% foram sentidos no primeiro semestre e 80% devem ser percebidos no restante do ano. Este custo se refere a partes de aviões executivos que a Embraer vende para sua subsidiária nos Estados Unidos, mas é um alívio em comparação com a taxação de 50% que a empresa evitou.
“Voltamos a uma situação mais gerenciável, o que nos permitiu incluir o impacto das tarifas em nossas projeções financeiras. Estamos mantendo nosso guidance [projeção] para o ano e, para alcançá-lo, precisamos entregar todas as aeronaves planejadas. No momento, qualquer alteração ou redução de quadro devido à redução de produção está completamente fora de nossos planos”, garantiu Neto.
Em relação aos aviões comerciais vendidos aos Estados Unidos, o custo é arcado pela empresa compradora, o que eleva o preço do produto.
Francisco Neto acredita que negociações podem levar à volta da tarifa zero, como ocorreu nos últimos 45 anos, citando acordos recentes entre o Reino Unido e a Europa.
Segundo Neto, as negociações acontecem tanto por meio do governo brasileiro quanto diretamente com os americanos.
Principal mercado
Os Estados Unidos são o maior mercado de aviação do mundo e absorvem 70% da demanda por jatos executivos da Embraer e 45% de aeronaves comerciais.
O diretor-executivo da companhia destaca a geração de emprego e investimentos nos Estados Unidos como um argumento favorável para que o governo Trump retorne à tarifa zero.
A Embraer emprega quase 3 mil pessoas nos Estados Unidos. Incluindo a cadeia de fornecedores locais, o número total chega a 13 mil. A empresa planeja investir US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,8 bilhões, em Dallas, no Texas, e em Melbourne, na Flórida, nos próximos cinco anos e contratar 5,5 mil funcionários até 2030. Essas estimativas foram feitas com base em cálculos sem a tarifa de 10%.
O executivo afirmou que, caso o governo americano decida incluir aeronaves militares, como o KC-390, em sua frota, a demanda por aviões da Embraer aumentará, gerando mais empregos e investimentos. A empresa ressalta a importância de seus aviões regionais para o mercado americano.
A Embraer espera um ano de 2023 positivo e está otimista quanto ao futuro.
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