Deputado, o que o senhor acha da decisão do ministro Alexandre de Moraes de decretar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, justamente após as manifestações de domingo em todo o país?
Essa decisão é mais uma demonstração do uso político do sistema de justiça no Brasil. O povo brasileiro foi às ruas de forma pacífica, legítima e democrática no domingo — e, como resposta, temos uma medida extrema e questionável contra o maior líder da oposição, sem condenação, sem julgamento, e sem que haja risco concreto que justifique essa medida.
É evidente que o timing não é coincidência: trata-se de uma retaliação política ao povo que ousou levantar sua voz.
Como o senhor interpreta o conjunto dos acontecimentos: as manifestações populares do fim de semana e, na sequência, medidas como a demissão da jornalista Natuza Nery e da Daniela Lima da GloboNews, conhecida por suas ligações com ministros do STF e integrantes do governo Lula?
O que está acontecendo no Brasil é revelador. A força das manifestações populares escancarou o desconforto da velha imprensa e de setores do poder com a mobilização espontânea da sociedade.
As mudanças na mídia, em especial em figuras alinhadas ao sistema, podem ser lidas como uma tentativa de reposicionar o discurso diante do desgaste institucional.
A verdade é que o povo não acredita mais na narrativa oficial, e a pressão da sociedade começa a gerar reações — ainda que tardias — até mesmo dentro dos próprios meios de comunicação.
Na sua avaliação, essa sequência de fatos caracteriza algum tipo de reação institucional contra a mobilização bolsonarista?
Sim. Estamos assistindo a uma reação coordenada do sistema contra o avanço da direita popular no Brasil. Não é a primeira vez que, após uma grande mobilização, vemos medidas de repressão, censura e intimidação.
Estão tentando transformar um movimento legítimo em caso de polícia. Isso é típico de regimes autoritários que se recusam a ouvir o povo.
A perseguição não é mais velada — ela é escancarada, e visa minar a confiança da população e sufocar a oposição por medo.
O senhor se sente intimidado por esse tipo de ação do STF? Há receio de que parlamentares aliados de Bolsonaro, como o senhor, também venham a ser alvo de sanções semelhantes, como o uso de tornozeleira imposta agora ao senador Marcos do Val?
Não me intimido. Fui eleito para representar o povo e não vou me calar diante de injustiças, abusos ou censura.
Mas é óbvio que vivemos um tempo perigoso, onde até parlamentares — que possuem prerrogativas constitucionais — estão sendo alvos de decisões autoritárias e arbitrárias.
A imposição de tornozeleira eletrônica a um senador da República, sem condenação transitada em julgado, é um alerta gravíssimo.
Se não houver reação firme do Congresso, todos estarão sujeitos a esse tipo de abuso — inclusive eu, inclusive qualquer cidadão que ouse discordar.
Já há, entre os parlamentares bolsonaristas, alguma articulação concreta ou reação sendo organizada diante da prisão domiciliar do ex-presidente?
Sim. Estamos em contato constante e avaliando juridicamente e politicamente todas as medidas cabíveis.
O que está em jogo não é apenas a liberdade de um líder político, mas a própria sobrevivência da democracia no Brasil.
É hora de unir forças, dentro e fora do parlamento, para defender a Constituição, garantir a independência dos Poderes e impedir que o país afunde de vez em um regime de exceção disfarçado de legalidade.
Quem acredita na liberdade, na justiça e na vontade soberana do povo não pode se omitir diante do que está acontecendo.

















