Salvador — O Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed-BA) anunciou uma greve por tempo indeterminado a partir da 0h do dia 31 de julho. A decisão, aprovada por unanimidade em assembleia, expõe o agravamento de um sistema de saúde que já opera em estado crítico. As reivindicações incluem a formalização de vínculos via CLT para os profissionais da rede pública, exigência que, segundo o sindicato, vem sendo ignorada pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).
A paralisação atingirá em cheio os atendimentos eletivos — clínicos e cirúrgicos — nas principais unidades da rede estadual, como o Hospital Geral do Estado (HGE), Roberto Santos, Iperba, Tysilla e Albert Sabin. Serão suspensas também as chamadas “fichas verdes” e “fichas azuis”. Apenas casos de urgência, emergência e risco de vida seguirão sendo atendidos.
O movimento grevista ocorre em meio a uma onda de demissões de médicos anestesistas em hospitais estaduais. O Sindimed alerta que essa situação, combinada com a precarização dos contratos e a ausência de vínculo trabalhista formal, coloca o sistema de saúde baiano à beira de um colapso.
A realidade já é alarmante. A fila da regulação, que deveria garantir acesso aos serviços hospitalares para a população do interior e da capital, atende hoje menos de 5% da demanda real. O restante da população é deixado à própria sorte, aguardando por vagas que nunca chegam — muitas vezes em ambulâncias paradas nas portas dos hospitais, com pacientes graves.
A crise se agrava pela postura do governo estadual. O governador Jerônimo Rodrigues, que já adota uma linha negacionista diante do avanço da violência na Bahia — ignorando os recordes de homicídios e os alertas sobre o domínio territorial de facções — agora parece repetir o mesmo roteiro diante do colapso na saúde: nega os fatos, não apresenta soluções concretas e empurra o problema com a barriga.
O Sindimed afirma que seguirá comprometido com a ética médica e manterá os atendimentos essenciais durante a greve, conforme previsto no Código de Ética da categoria. Mas alerta que a manutenção do caos depende exclusivamente da inércia do governo.
A população baiana, que já convive com um sistema de saúde colapsado e violento, assiste agora à possibilidade concreta de total paralisação de serviços básicos, sem qualquer sinal de resposta eficaz por parte do Estado.
Esperemos que, ao menos desta vez, o governador se atente. Porque ignorar os números, as mortes e os alertas não fará com que eles desapareçam. E a Bahia, já sufocada pela violência, não pode suportar também o colapso definitivo da saúde.
Segue vídeo de denúncia do sindimed:





















