Em um vídeo que circula pelas redes sociais, um caso insólito e preocupante chama atenção: um homem é flagrado andando sobre cabos de alta tensão e fios de internet, em uma cena que mistura risco, improviso e desespero. Ainda não se sabe a localidade exata da gravação, mas o enredo é conhecido demais no Brasil atual — e triste demais para ser só piada.
Nas imagens, o suspeito de furto de cabos tenta se equilibrar sobre a fiação enquanto é cercado por moradores revoltados, que ameaçam linchá-lo. O homem, nitidamente em pânico, pede que chamem a polícia, na esperança de descer em segurança. Em resposta, uma mulher ironiza: “Se a polícia vier, vai tomar uns cascudos também!”, em meio a gargalhadas dos presentes.
A cena, embora cômica à primeira vista — com o “ladrão equilibrista” pendurado no emaranhado de fios como se estivesse em um circo de horrores urbanos —, escancara uma realidade muito mais séria. O furto de cabos tem se espalhado como epidemia nas cidades brasileiras. Alimentado, em muitos casos, pela dependência química, especialmente do crack, o crime compromete serviços essenciais como internet, iluminação pública e energia elétrica.
Mais que um problema de segurança, o furto de fios escancara a falência de políticas públicas para lidar com a dependência química. A maioria desses indivíduos está em situação de vulnerabilidade extrema. E mesmo quando há oferta de tratamento, muitos recusam por causa da força do vício e da ausência de acolhimento estruturado.
Seguimos aguardando mais informações sobre o desfecho do episódio. Mas se a lógica se repetiu, o “artista dos fios” desceu direto para dois palcos distintos: o da fúria popular e o da dureza da polícia. Trágico. Porque no fundo, por trás da caricatura, está a ponta solta de um Brasil sem rede de proteção — nem para os fios, nem para as pessoas.
Veja video abaixo:





















