O que começou como uma suposta “premiação entre amigos” revelou-se uma engrenagem milionária de contravenção. José Roberto Santos, mais conhecido como Nanan Premiações, figura notória nas redes sociais por exibir carros de luxo e ostentar uma vida de alto padrão, foi novamente preso nesta quarta-feira (9), apenas seis meses após deixar a cadeia. Ele é um dos principais alvos da Operação Falsas Promessas II, que desmantela um esquema bilionário de rifas ilegais com indícios de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas.
A operação aponta que Nanan não atuava sozinho. Ele mantinha vínculos diretos com outros nomes já conhecidos no submundo das rifas, como Ramhon Dias e Gaby Rifas. Só esses três movimentaram, segundo os investigadores, cerca de R$ 90 milhões de forma ilegal. Ramhon teria movimentado R$ 26 milhões, enquanto Gaby Rifas chegou à marca de R$ 64 milhões.
Um dos símbolos mais chamativos do caso — e agora peça central da repressão ao esquema — é a Lamborghini Huracán TE, ano 2023, apreendida com Nanan. O veículo, avaliado em até R$ 3,7 milhões segundo a tabela FIPE, está sendo leiloado por um lance inicial de R$ 2,44 milhões, autorizado pela Justiça da Bahia e conduzido por João Paulo Sampaio Damiani, responsável pelo Sampaio Leilões.
A retomada do bem pela Justiça representa um movimento claro de asfixia patrimonial contra os envolvidos, muitos dos quais usavam a estrutura das rifas como fachada para lavagem de grandes quantias em espécie, mascaradas por “promoções” vendidas em redes sociais.
Apesar da primeira prisão, em 2024, e da liberdade provisória concedida posteriormente, Nanan voltou a reincidir. Desta vez, foi preso junto com outras 23 pessoas. O novo cerco deve fechar o ciclo de impunidade que até então garantia a continuidade do esquema.
O caso expõe a fragilidade da regulação sobre rifas virtuais no Brasil e revela como o vácuo legal tem sido explorado para enriquecimento ilícito, colocando em risco não apenas os participantes enganados por falsas promessas de prêmios, mas também a integridade das finanças públicas.
Enquanto isso, o público que alimentava os sorteios — muitos em busca de um golpe de sorte — agora assiste ao desmoronamento de um castelo de cartas montado sobre ilusão, ostentação e crime.

















