Diante da omissão completa do Estado brasileiro, quem tomou uma atitude concreta foi o jogador Alexandre Pato. Sensibilizado com o drama da jovem Juliana, brasileira, negra, em coma após um grave acidente fora do país, o atleta decidiu ajudar financeiramente a família, que enfrentava dificuldades para custear o tratamento e o possível translado. A atitude de Pato, feita sem holofotes, revelou empatia, responsabilidade e senso de urgência — tudo o que faltou ao governo federal diante de uma situação crítica.
Enquanto isso, a atuação do governo Lula foi marcada pela indiferença. Limitou-se a contatos diplomáticos formais, sem mobilizar qualquer estrutura efetiva, sem envio de pessoal, equipamentos ou qualquer ação emergencial. A inércia impressiona ainda mais quando comparada a casos anteriores: em 2008, o mesmo governo moveu esforços diplomáticos intensos para tentar impedir a execução de um brasileiro condenado à morte por tráfico de drogas em país asiático. No caso de Juliana, uma cidadã inocente, a resposta foi burocrática e apática.
A falta de iniciativa ocorre em um momento em que o presidente já acumula gastos milionários com viagens internacionais. Janja, a primeira-dama, que não ocupa cargo oficial algum, frequentemente integra essas comitivas — e, em diversas ocasiões, viaja antes do próprio presidente, elevando ainda mais os custos com segurança, hospedagem e transporte. O contraste é brutal: há verba para bancar o luxo do entorno do poder, mas não há apoio quando uma brasileira precisa de socorro real.
A tragédia escancara o descompasso nas prioridades do governo. O caso de Juliana não foi uma fatalidade inevitável — foi um abandono. E coube a um jogador de futebol, e não ao Estado, representar o que o Brasil deveria ser: solidário, presente e humano. O gesto de Pato não apenas ajudou uma família, mas desmascarou a ausência de um governo que, diante da dor do povo, vira o rosto.

















