Por 201 votos a favor e apenas dois contrários, o Diretório Nacional do PSDB aprovou, nesta quinta-feira (5), a incorporação do partido pelo Podemos. A decisão aconteceu durante a 17ª Convenção Nacional da legenda, em Brasília.
Apesar de ser chamada de “fusão” pelo presidente do PSDB, Marconi Perillo, o processo é tecnicamente uma incorporação, onde o PSDB será integrado ao Podemos. A nova sigla passa a se chamar, por enquanto, PSDB+Podemos, mas um nome definitivo deve ser escolhido futuramente, após ouvir os filiados e realizar pesquisas.
Na convenção, os tucanos também autorizaram a Executiva Nacional a tomar todas as medidas necessárias para efetivar a incorporação e alinhar, junto com o Podemos, um programa e estatuto comuns. A reunião aconteceu em formato híbrido, com a maior parte dos membros participando de forma online.
A presidente nacional do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), deve seguir no comando do partido. Porém, há uma proposta entre lideranças do PSDB para criar um sistema de rodízio na presidência, com cada grupo assumindo o posto a cada seis meses.
Renata Abreu não participou do encontro do PSDB, mas já comentou em suas redes sociais que a união representa um esforço para colocar o interesse público acima de disputas ideológicas e extremismos.
“Esse movimento fortalece o caminho que já vínhamos construindo, baseado no diálogo, no respeito e na busca por uma alternativa sólida para o Brasil — uma alternativa que una forças comprometidas com o centro democrático, a estabilidade e o desenvolvimento do país”, afirmou a deputada.
Com poucos participantes presenciais, devido à realização do 11º Fórum Parlamentar dos Brics, a convenção contou com nomes como o deputado Adolfo Viana, líder do PSDB na Câmara.
Após a decisão, o presidente Marconi Perillo voltou a criticar a polarização política e disse que a nova sigla surge como uma opção de centro para o país.
O deputado Aécio Neves, que presidiu o PSDB de 2013 a 2017, reconheceu que o partido perdeu espaço no cenário político, reflexo de decisões que, segundo ele, foram equivocadas. “Pagamos um preço alto, mas seguimos acreditando na ideia de um partido programático, que motivou a criação do PSDB”, disse. Aécio também negou que a incorporação seja motivada por receio de não alcançar a cláusula de barreira.
A expectativa é que o pedido formal de incorporação seja entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em julho, com previsão de aprovação até setembro ou outubro. Depois disso, o grupo deve negociar a formação de uma federação, incluindo, possivelmente, o Solidariedade.
Com a união, o PSDB+Podemos terá uma bancada de 28 deputados e sete senadores, se tornando a quinta maior força no Senado, ao lado de partidos como PP e União Brasil. Além disso, o partido terá um aumento expressivo no fundo eleitoral.















