Por JR.
Parece festa, mas é reunião de pauta. Estivemos num aniversário de uma filha de político baiano – evento particular, claro – onde o que menos rolou foi bolo. Tinha político de tudo quanto é canto: do lado de ACM Neto, do lado de Jerônimo… e no meio, claro, o pai da aniversariante, que circula como se fosse vinho: vai bem com qualquer prato.
Num bate-papo com um senador da base de Jerônimo, mas que já deixou claro que base é só enquanto lhe convém, surgiu a “pérola” da noite: Rui Costa pode ser o nome do grupo ao governo em 2026. E Jerônimo? Bom, talvez um downgrade para deputado federal, porque no interior, dizem, ele está mais apagado que poste de rua em bairro sem verba. As promessas são muitas, mas o dinheiro? Só no ano eleitoral — se chegar.
Enquanto isso, prefeitos do interior abraçam, tiram foto, fazem juras de amor… mas até agora, nada de “capim”. São João tá aí, e o governador tá empurrando com a barriga as verbas. Segundo nosso senador falante, ele (o senador) tá na base, mas pode sair numa boa se for ignorado. Palavras dele: “Sou candidatíssimo à reeleição, e se não quiserem, sigo carreira solo sem drama nenhum”. Tem gente que gosta mesmo é de andar sem coleira.
A cereja do bolo foi a “teoria” de que Jerônimo não entregou nada ao interior, só selfie, floricultura e conversa fiada. Aí veio a lógica: Rui vai a governador, Jerônimo vai à Câmara e, no saldo, tá tudo certo. Afinal, quem era Jerônimo antes? Se for deputado federal, já é lucro!
ACM Neto também estava por lá, todo orelha, se dizendo “apenas ouvindo o povo”. Traduzindo: pré-campanha. Léo Prates também apareceu e reafirmou que, se Neto for, ele apoia. Por enquanto, só quer mesmo é se reeleger deputado federal, e deve pular para o partido de Márcio Marinho. Já Rogéria, que não gostou da ideia, vai ter que engolir.
O prefeito Bruno Reis apareceu e foi logo questionado sobre o barraco com os professores. Segundo ele, atendeu todo mundo, e a justiça já considerou a greve ilegal. Ou seja, problema resolvido… na teoria.
E a cereja do bolo da fofocaiada: três vereadores de Lauro de Freitas podem perder o mandato por causa da cota de gênero. Ângelo Coronel foi direto: “Sem chance de sustentar isso. TSE vai derrubar tudo”. Se isso se confirmar, entra na roda o Felipe Brunossei (PP) e mais dois suplentes. A dúvida é: serão da base ou da oposição à prefeita Débora Régis?
Enquanto isso, Léo Prates, sempre ele, já prepara as malas para o **Republicanos (PRB)**, partido comandado na Bahia por Márcio Marinho. Sim, aquele que faz oração antes das reuniões e promete cura para todo tipo de crise. Prates deve ir pra lá sem olhar pra trás, e quem não gostou que vá fazer jejum de três dias. Rogéria Santos, que se cuide, porque o altar tá sendo montado.
E por falar em recreio, a grande atração da semana foi o evento do **MBL Bahia**, com direito a plateia cheia, selfie, gritos de guerra e… **Santana!** Sim, ele mesmo. Aquele que até pouco tempo chamava o MBL de “extrema-direita”, “fascistas mirins”, e outras gentilezas do tipo. Pois agora estava lá: de biquinho, abraçado com Renan Santos, Mauro Cardim, Guto Zacarias, Arthur, e até tocando violão no bar depois — foi quase um luau liberal.
A dúvida que pairou no ar não foi se o som tava bom, mas sim: **Santana virou jaguatirica, onça, ou já tá de malas prontas pro Missão Bahia do Cardim?** Porque esquerda ele já deixou de ser — ao menos nas fotos. Aliás, se beijo técnico com o MBL valesse filiação, Santana já estaria assinando ficha de filiado com lágrimas de emoção e um bom vinho paulista.
E, claro, no meio da festa política, não podia faltar aquela pitada judicial: vereadores de Lauro de Freitas na corda bamba por causa da cota de gênero, e Coronel já dando a sentença antes do TSE: “Vão cair, não sustenta.” Felipe Manassés (PP) já ajeita o terno e revisa o discurso.
Coronel, por sinal, disse que tem uma parceria boa com Débora e deve visitá-la em breve — além de encontrar o presidente da Câmara, Juca. Juca, aliás, também estava na festa e aproveitou para articular. Conversou com ACM Neto, Bruno Reis, e marcou agenda para discutir os problemas da linha divisória entre Lauro e Salvador, região que ele diz representar com garra.
E assim segue o baile: entre um brigadeiro e uma negociação, as alianças vão se firmando. Porque na Bahia, política se faz até com balão e bolo de parabéns.
Essa coluna não expressa nossa linha de editorial e sim um espaço para Colunistas.
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