Na coluna de hoje, é impossível ignorar o completo despreparo do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, cada vez mais marcado por declarações que não seriam aceitas nem em mesas de botequim, quanto mais na boca de um chefe de estado. Jerônimo não apenas expõe sua incapacidade administrativa, como revela, em suas falas, um grau de irresponsabilidade que flerta com o delírio ideológico — e com o ódio.
A mais recente pérola (ou melhor, lama) foi a declaração em que ele afirma que os traficantes “fazem o trabalho deles e eu faço o meu”, como se fosse possível relativizar o crime organizado com base na geografia da pobreza ou nas suas convicções políticas. Essa fala é perigosa, covarde e inaceitável. Vinda de um governador, é quase uma confissão de rendição ao poder paralelo que domina comunidades inteiras da Bahia. Quem governa não negocia com o crime. Combate-o.
Mas Jerônimo não parou por aí. Em nova demonstração de desprezo pelas instituições democráticas e pela civilidade, o governador afirmou que Bolsonaro e seus eleitores “deveriam ir para uma vala”, comparando-os a nazistas. Ora, comparar adversários políticos a nazistas já é um absurdo — sugerir que merecem o mesmo destino que vítimas do Holocausto é algo monstruoso. Hitler, em seus discursos inflamados, também reduzia seus inimigos a “vermes” que deveriam ser “eliminados”. Jerônimo repete esse padrão, travestido de progressismo.
É estarrecedor que a grande mídia trate essa fala como uma “gafe” ou “exagero retórico”. Não é. É discurso de ódio. É incitação à violência. É, em última instância, fascismo com sinal trocado. O mesmo tipo de crime que levaria um parlamentar bolsonarista ao escândalo e às manchetes em caixa alta, aqui é varrido para debaixo do tapete da conveniência ideológica.
Jerônimo, que foi alçado ao governo não por mérito, mas por pressão interna do PT — após o grupo de Jacques Wagner rifar o nome de José Trindade — já vinha de uma gestão desastrosa na Secretaria de Educação, onde transformou a Bahia em referência negativa no cenário nacional. Desde então, empilha declarações grotescas, como quando afirmou que a escola que reprova alunos é racista. É a mistura da ignorância com a ideologia — uma bomba de efeito moral.
Enquanto isso, os poderes da República seguem preocupados em censurar frases pichadas com batom em estátuas, mas se calam diante de declarações que evocam práticas nazistas. O duplo padrão moral é claro: se vier da esquerda, é liberdade de expressão. Se vier da direita, é crime. Não há Estado de Direito que sobreviva assim.
É preciso dizer com todas as letras: não há diferença essencial entre o radicalismo do bolsonarismo e o que Jerônimo Rodrigues vem expressando. Ambos se alimentam do medo, da divisão, do ódio e do delírio autoritário. O PT, que se apresenta como antítese do bolsonarismo, age cada vez mais como o seu espelho — ou pior. A vala que Jerônimo sugeriu para seus adversários talvez seja, simbolicamente, o destino político de quem escolhe a barbárie.
Essa coluna expressa minhas opiniões pessoais e informações na qual temos acesso, não quer dizer que seja parte editorial do site.Siqueira Costa Júnior, ativista político, curioso, pai, filho, avô motorista de uber e empreendedor




















