A política de Lauro de Freitas, mais uma vez, rouba a cena e se torna o epicentro dos embates políticos na Bahia. Nem Salvador consegue gerar tantas reviravoltas e polêmicas quanto a cidade da Região Metropolitana. E o episódio mais recente teve direito a dedo na cara, voz alterada e declarações contundentes.
O palco do embate? A Praia de Buraquinho, no último dia 2 de fevereiro. Os protagonistas? O vice-prefeito de Lauro de Freitas, Mateus Reis, e o empresário Teobaldo Costa, presidente do União Brasil no município. A troca de farpas foi intensa, com Mateus chegando a mandar Teobaldo “para aquele lugar” e, para surpresa geral, anunciando sua pré-candidatura à prefeitura de Lauro de Freitas em 2028. O detalhe é que a atual prefeita, Débora Régis, mal completou um mês e seis dias de mandato.
A questão que se impõe é: Mateus Reis rompeu definitivamente com o grupo que o elegeu? Seu anúncio precoce sugere um caminho de independência, mas também expõe contradições. Afinal, na eleição passada, ele foi alçado à posição de vice-prefeito justamente com o apoio de Teobaldo, que costurou sua candidatura bem antes do pleito. Além disso, o empresário não economizou apoio financeiro e partidário para ele e sua esposa, que concorreu sem sucesso a uma vaga no Legislativo.
O histórico de Mateus na política de Lauro também levanta dúvidas sobre sua lealdade. Em uma oportunidade anterior, quando surgiu a possibilidade de ele assumir uma vaga na Assembleia Legislativa pela saída de Júnior Muniz para o secretariado estadual, Mateus simplesmente desapareceu por uma semana. O sumiço gerou especulações e descontentamento entre aliados, deixando um vácuo político.
Agora, ao se declarar candidato com quatro anos de antecedência, Mateus praticamente se coloca como opositor de Débora Régis. O que surpreende não é apenas sua movimentação antecipada, mas também o silêncio da prefeita diante do atrito entre seu vice e o presidente do partido. Débora, que sempre teve voz firme ao criticar sua antecessora, Moema Gramacho, parece agora evitar o confronto dentro de seu próprio grupo.
Se a prefeita ainda não se posicionou, o mesmo não se pode dizer de Mateus. Ele gravou um vídeo em que acusa um vereador e secretário municipal de perseguição política, mas, curiosamente, não desmente a briga com Teobaldo nem o anúncio de sua candidatura. A postura reforça a percepção de que o vice-prefeito já está em campanha – mesmo que às custas da harmonia no grupo político que ajudou a elegê-lo.
Lealdade e gratidão são artigos raros na política, e assumir erros é ainda mais difícil. Mas, se Mateus quer construir uma candidatura viável para 2028, talvez o primeiro passo seja reconhecer os excessos e pedir desculpas – tanto a Teobaldo, que é o líder do seu partido, quanto à população e, principalmente, à prefeita Débora Régis.
E Débora, por sua vez, precisa decidir: manterá sua postura discreta ou assumirá o comando da situação antes que as rachaduras no grupo se tornem irreversíveis? Moema Gramacho já é passado, mas os problemas que Débora enfrenta no presente podem definir seu futuro.
Siqueira Costa Júnior
Curioso e ativista político, cerca de 13 anos de militância política.
Pai, avô, motorista de aplicativo e criador de problemas, aqui apenas expresso minha humilde opniao sobre fatos que vejo e tenho conhecimento.





















