Meus amigos e amigas, o cenário político de Salvador parece ter tomado rumos inesperados e, diria, até estratégicos para desviar nossa atenção do que realmente importa. Observamos na mídia uma onda crescente de especulações sobre a sucessão de Bruno Reis na prefeitura de Salvador, mesmo que ele ainda esteja nos primeiros dias de seu novo mandato. Em podcasts, sites e colunas, há discussões incessantes sobre quem será o próximo a ocupar a cadeira de prefeito: Ana Paula, Léo Prates ou, quem sabe, outra figura. Porém, essa preocupação exagerada com o futuro político parece uma cortina de fumaça conveniente, ocultando os resultados – ou a falta deles – das gestões federal e estadual na Bahia.
Vamos analisar. No plano federal, o governo Lula apresenta um histórico repleto de promessas não cumpridas e ações controversas. Desde taxações contraditórias até concessões tardias forçadas por pressão de grandes empresários, muitas pautas estão longe de beneficiar diretamente o povo baiano.
Já na esfera estadual, o governador Jerônimo Rodrigues segue um roteiro que, até agora, carece de autenticidade e marcas próprias. Suas realizações são, em boa parte, continuidade de projetos iniciados por seu antecessor, Rui Costa. Em um mandato que já acumula muitas viagens ao interior do estado, o governador tem entregado pouco. Como exemplo, podemos citar as obras dos trens adquiridos com mais de uma década de uso – uma solução que deveria ser inovadora, mas soa como um retrocesso. Há ainda o episódio dos ferries comprados em Portugal, cuja negociação envolveu valores questionáveis e virou piada entre a população.
E não podemos esquecer o caso da rodoviária de Salvador, que deveria ter sido concluída no ano passado, mas segue sem prazo de entrega definido. Há também o emblemático projeto da ponte Salvador-Itaparica, cujo contrato parece se alongar indefinidamente, gerando custos exorbitantes para os cofres públicos e resultados limitados. Enquanto isso, terrenos públicos valiosos são deixados ao abandono, claramente destinados à especulação imobiliária em vez de atender ao povo baiano.
Paralelamente, a mídia parece tentar fomentar divisões no grupo liderado por Bruno Reis, especulando disputas entre a vice-prefeita Ana Paula Matos, o deputado federal Léo Prates e outros nomes. Essa abordagem é curiosa, já que ignora completamente os desafios impostos ao grupo opositor, liderado por Geraldo Júnior. Derrotado nas últimas eleições, ele mal figura nos debates políticos atuais, reduzido a coordenar eventos sazonais como o Carnaval e o São João.
Diante desse cenário, surge uma reflexão inevitável: por que tanto esforço para debater sucessões políticas que só ocorrerão em 2028, enquanto problemas urgentes – como entregas de promessas feitas por Jerônimo e Lula – permanecem em segundo plano? Seria a estratégia midiática um meio de desviar a atenção para as falhas desses governantes?
Este texto reflete uma opinião pessoal e não representa, de forma alguma, as posições editoriais deste veículo. Enquanto uma parte da mídia parece focada em jogos de sucessão política, é nosso papel como sociedade cobrar os governantes por resultados concretos e melhorias reais na vida do povo baiano e brasileiro. Afinal, o momento de agir e questionar é agora. Não daqui a quatro anos.





















