A Lavagem do Bonfim, celebrada na segunda quinta-feira do ano, é uma das festas populares mais emblemáticas de Salvador, marcada pelo sincretismo religioso e manifestações culturais. No entanto, ao longo dos anos, o tradicional desfile de carroças, cavalos e burros passou de uma representação simbólica para uma prática criticada por maus-tratos aos animais.
Inicialmente, essas carroças faziam parte do cortejo como expressão folclórica. Contudo, os animais começaram a ser submetidos a abusos, forçados a carregar cargas excessivas, como caixas de cerveja e pessoas embriagadas, muitas vezes até a madrugada. Além disso, cenas de maus-tratos tornaram-se recorrentes, manchando o caráter cultural do evento.
Graças à atuação da vereadora Marcelle Moraes, conhecida por sua defesa dos direitos dos animais, a presença de carroças com cavalos e burros foi proibida no cortejo. Marcelle comemorou a mudança em suas redes sociais nesta quinta-feira, pouco antes de participar da caminhada que vai da Igreja da Conceição da Praia à Basílica do Senhor do Bonfim. “É uma alegria imensa ver que esses animais não são mais submetidos a tamanha crueldade. A luta foi longa, mas valeu a pena”, declarou a vereadora.
Apesar desse avanço, ainda há desafios. Os cavaleiros, outra tradição do cortejo, têm gerado preocupação, pois alguns acabam consumindo álcool excessivamente, levando ao abuso dos animais ao final do evento. “O que falta agora é uma fiscalização mais rígida e medidas punitivas eficazes para coibir esses atos”, pontuou Marcelle.
A proibição das carroças é um passo significativo para preservar a essência cultural e espiritual da Lavagem do Bonfim sem compactuar com práticas que desrespeitam os direitos dos animais.
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