O jornalista, escritor e dramaturgo Edney Silvestre foi o convidado para a mesa “Retratos do Brasil”, que aconteceu na manhã desta sexta-feira (11), no espaço Café Literário, na Bienal do Livro Bahia 2022
Nascido na cidade de Valença, no estado do Rio de janeiro em 1950, filho de lavrador e uma tecelã, Edney passsou a maior parte da sua infância no interior do seu quarto, em decorrência de um grave quadro de anemia, despertando asim o seu interesse pela escrita e a literatura.
Na adolescência, conheceu as obras de Graciliano Ramos, Thomas Mann, Jack London, Machado de Assis, Julio Verne, Alexandre Dumas, Carlos Drummond de Andrade e Edgard Rice Burroughs, o que despertou a sua paixão pelas letras. Começou sua vida profissional como tradutor de livros de faroeste e datilógrafo, passando por alguns veículos de comunicação até chegar ao Grupo Globo de jornalismo como correspondente internacional, baseado em Nova York.
Como roteirista de documentários, diretor e apresentador, Edney realizou grandes trabalhos. Dentre eles podemos citar o curta-metragem “Noivado”, premiado como Melhor Filme Experimental no III Festival de Cinema Amador JB-Mesbla, em 1968 e a peça “Boa noite a todos”. Foi criador e apresentador do seriado “Brasileiros” (2010), na TV Globo, campeão de audiência e aplaudido pela crítica.
Como escritor, ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Romance em 2010, assim como o Prêmio São Paulo de Literatura no mesmo ano por seu romance de estreia “Se eu fechar os olhos agora”, e escreveu outros grandes títulos como “A felicidade é fácil, Vidas improváveis e O último dia da inocência”.
Na Bienal Bahia, o escritor apresentou ao público seu novo trabalho, o livro “Pequenas Vinganças” e recebeu a equipe do Boletim Bahia para uma rápida entrevista.
Confira trechos abaixo:
Edney, nos fale sobre o link entre a cultura e o jornalismo.
Eu nunca fiz essa separação, cresci em uma família sem muito dinheiro, frequentava a biblioteca da minha cidade para buscar conhecimento, assim, eu não consigo enxergar as duas coisas separadas. O jornalismo gera cultura e a cultura gera o jornalismo.
Qual a sua visão sobre os processos criativos no cenário atual?
Estamos vivendo tempos extraordinários, vai sair muita coisa boa e rica disso tudo que estamos vivenciando hoje em nosso país. Serão trabalhos incríveis e riquíssimos!
Para o jornalismo x cenário político, qual o peso que isso nos traz para o produto final?
Quando se fala da divisão do povo, isso em princípio não é ruim. Não é ruim porque o que nós temos? Temos esperança de dias melhores. Na minha visão, alguns estão equivocados na escolha que fizeram. Na minha visão, a gente pode, através do jornalismo, através da arte, mostrar que há um mundo mais luminoso para ser escolhido.
Edney disse que sua família só resistiu porque tinha esperança. “Fui criado dentro de esperança e eu tenho sempre esperança, e é isso que guardo e carrego comigo. Esses tempos são difíceis e estaremos sempre nesse conflito entre luz e sombra, mas com esperança”, concluiu.
Foto: Fulvio Bahia | Boletim Bahia
















