A seleção brasileira venceu a Alemanha por 5 a 1, conquistando o título do Desafio Internacional de Judô, torneio que retorna ao calendário da Confederação Brasileira da modalidade (CBJ) após oito anos sem promover o evento. A Amarelinha quebrou um jejum de três anos sem vitórias sobre a seleção alemã em competições mistas. Os judocas Shirlen Nascimento, Daniel Cargnin, Rafael Silva, Rafael Macedo e Leonardo Gonçalves garantiram a vitória no tatame na noite de quinta-feira (30), em Blumenau (SC). Um triunfo marcado pela revanche: no ano passado, no Mundial de Budapeste (Hungria), o Brasil foi eliminado pelos alemães nas quartas de final e terminou em quinto lugar.

A primeira a brilhar no tatame foi a atual campeã mundial Shirlen Nascimento, que levou a melhor sobre Seja Ballhaus ao aplicar um ippon no início do golden score (tempo extra), na disputa da categoria abaixo dos 57 quilos. Na luta seguinte, o gaúcho Daniel Cargnin (-73 kg) ampliou a vantagem da Amarelinha para 2 a 0 ao derrotar Kevin Abeltshauser com um yuko e um ippon por imobilização.
“As disputas contra a Alemanha são sempre decisivas nos detalhes, pois são equipes equilibradas. Agora, o foco é aproveitar o período de preparação para chegar ao Mundial mais forte, buscando essa medalha por equipes que tanto queremos, com a união do grupo, um dos nossos maiores diferenciais”, analisou Cargnin, referindo-se ao Mundial em Baku (Azerbaijão), a partir de 4 de outubro.
A terceira luta foi da medalhista olímpica Rafaela Silva, que em fevereiro foi campeã do Grand Slam de Paris (França) nos 63 kg. A carioca pisou no tatame para enfrentar uma adversária já conhecida: Mirian Butkereit, que derrotara Rafaela duas vezes no Mundial de Budapeste. Mesmo disputando na categoria dos 70 kg acima da sua, a brasileira se sobressaiu ao reverter uma tentativa de golpe da adversária, marcando um waza-ari. Depois, Rafaela foi bem na dividida e desferiu um ippon, cravando a terceira vitória consecutiva do Brasil em Blumenau.
“É sempre um privilégio lutar no Brasil, especialmente em uma competição internacional com atletas de alto nível e medalhistas mundiais e olímpicos. Competir em casa, com o apoio da torcida, é muito especial e nos motiva a dar o nosso melhor para inspirar as novas gerações. Essa vitória teve um sabor especial, pois corrigi os erros da derrota que sofri para essa adversária no ano passado, colocando em prática tudo o que venho treinando. Quando a gente luta no Brasil, queremos retribuir o carinho de quem vem se esforçar para estar na arquibancada, então o nosso compromisso é entregar o melhor judô possível dentro do tatame”, disse Rafaela ao site da CBJ.
Paulista de São José dos Campos, Rafael Macedo também fez bonito na luta dos 90 kg contra Paul Friedrichs. O brasileiro finalizou a disputa com uma chave de braço e ampliou o placar da Amarelinha para 4 a 0.
O ponto de honra da Alemanha foi obtido na luta da categoria acima dos 70 kg, entre a paulista Beatriz Freitas e Alina Boehm. A alemã venceu o confronto ao projetar a brasileira com um waza-ari, reduzindo para 4 a 1 a desvantagem da seleção europeia.
Quem selou a vitória da Amarelinha por 5 a 1 foi o paulista Leonardo Gonçalves no embate dos 90 kg contra Louis Mai. Especialista em luta de solo, Gonçalves ganhou a luta com uma chave de braço.
Mesmo com o êxito no Desafio Internacional, o Brasil permanece atrás da Alemanha no histórico de confrontos. Nas 10 vezes que se enfrentaram desde 2013 na classe sênior (principal), a equipe europeia soma seis vitórias contra quatro da Amarelinha.
O próximo compromisso da seleção brasileira será o Grand Prix de Lima (Peru), que conta pontos para o ranking de classificação olímpica para os Jogos de Los Angeles 2028.

















