Um drone israelense destruiu um automóvel em Kfar Tebnit, vila do sul do Líbano, e matou o motorista, informou nesta segunda‑feira (15) a Agência Nacional de Notícias (NNA) do país do Oriente Médio. O jornalista libanês Hadi Abdel Moneim Hoteit também foi alvo de ataques israelenses na mesma localidade.

“Ele foi encaminhado para o Hospital Najdeh Shaabia, em Nabatieh, onde está sendo submetido a cirurgia na perna após ser atingido por estilhaços”, informou a agência estatal NNA por volta das 11h, horário local.
Os ataques ocorrem poucas horas depois da divulgação, neste domingo (14), do acordo de paz entre Estados Unidos (EUA) e Irã, que também preveria um cessar‑fogo no Líbano, uma das exigências de Teerã.
A continuidade do conflito libanês pode comprometer esse processo de paz. Espera‑se que, na sexta‑feira (19), em Genebra, Suíça, seja assinado um memorando de entendimento entre representantes dos EUA e do Irã, abrindo caminho para o acordo.
As autoridades israelenses ainda não se pronunciaram sobre o ataque de hoje. Ainda nesta segunda‑feira (15), a ANN noticiou que um drone israelense foi avistado voando a baixa altitude na capital do país, Beirute.
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Hezbollah ataca israelenses
Também nesta segunda‑feira, o grupo político‑militar Hezbollah declarou ter atacado um comboio do exército inimigo no mesmo local onde ocorreram os ataques israelenses, na entrada da vila de Kfar Tebnit, por volta das 18h, horário local.
Segundo o Hezbollah, o ataque obrigou as forças israelenses a recuarem e teria ocorrido “após observarmos uma formação do exército inimigo israelense, composta por um trator e dois tanques Merkava, avançando da área de Arnoun em direção ao ponto de travessia próximo a Kfar Tebnit”.
Impasse segue no Líbano
Apesar do anúncio de acordo entre EUA e Irã, que incluiria um cessar‑fogo também no Líbano, o Exército libanês recomendou que os moradores do sul do país não retornem ainda às suas casas devido ao risco de violação do pacto.
O primeiro‑ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou nesta segunda‑feira que desconhece os termos do acordo entre Irã e EUA relativos ao programa nuclear de Teerã, apontado por Israel e EUA como principal justificativa para atacar o Irã.
“Manter‑nos‑emos na zona tampão de segurança do Líbano pelo tempo que for necessário”, disse Netanyahu em coletiva, segundo o jornal The Jerusalem Post.
O Hezbollah, por sua vez, felicitou o Irã pelo memorando de entendimento com os EUA.
“Afirmamos que o que foi alcançado é um prelúdio para concluir o caminho da plena libertação de nossa terra, o retorno de nossos prisioneiros à pátria e às suas famílias, o retorno de todo o povo, especialmente dos moradores das aldeias da linha de frente”, declarou o grupo em comunicado veiculado pela TV Al Manar, ligada ao Hezbollah.
Guerra no Líbano
Desde o início da atual fase do conflito no Líbano, em 2 de março deste ano, o Ministério da Saúde libanês registra 3,7 mil mortos e 11,7 mil feridos.
A fase atual do embate entre Israel e Hezbollah está ligada à destruição da Faixa de Gaza a partir de 2023. O Hezbollah passou a lançar foguetes contra o norte de Israel em solidariedade aos palestinos e para desgastar a defesa israelense.
Após mais de um ano de trocas de ataques, foi firmado um cessar‑fogo entre o grupo xiita e o governo do primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu, em novembro de 2024, após a morte de lideranças importantes do Hezbollah.
Entretanto, Israel manteve ataques e bombardeios esporádicos contra o Líbano, que evitava reagir. Com o início da guerra no Irã, o Hezbollah retomou as ofensivas contra Israel alegando legítima defesa e resposta à violação do cessar‑fogo vigente.
O confronto entre Israel e Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita surgiu em reação à invasão e ocupação israelense no Líbano, visando grupos palestinos que buscavam refúgio no país.
Em 2000, o Hezbollah expulsou as forças israelenses do território libanês. Ao longo dos anos, o grupo evoluiu para um partido político com assentos no Parlamento e participação em governos. O Líbano ainda foi alvo de ataques israelenses em 2006, 2009 e 2011.
Fonte

















