O enredo que levou à queda de Adolfo Menezes da presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) parece saído de um episódio de “O Bem Amado”. Tudo começou em março de 2024, quando, prestes a encerrar seu segundo mandato no comando da Casa, aliados do deputado articularam a derrubada de uma emenda constitucional que impedia uma nova reeleição. Curiosamente, a regra havia sido criada pelo próprio Adolfo.
A jogada abriu caminho para que ele concorresse a um terceiro mandato, conquistando apoio amplo – inclusive da oposição – e garantindo sua eleição em fevereiro deste ano por 61 votos a 1. No entanto, a manobra gerou resistência. O deputado Hilton Coelho (Psol) levou o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF), e o ministro Gilmar Mendes suspendeu a reeleição por meio de uma liminar. Pouco depois, a Segunda Turma da Corte confirmou a decisão, encerrando de vez a permanência de Adolfo no cargo.
Sem previsão regimental para novas eleições, a primeira vice-presidente da Alba, Ivana Bastos, assumiu o comando, tornando-se a primeira mulher a presidir o Legislativo baiano. Para completar a reviravolta, Fátima Nunes (PT) ficará com a vice-presidência, consolidando uma inédita liderança feminina na Casa. Embora se fale em uma eleição simbólica no próximo dia 18 para validar a sucessão, o desfecho já está definido: o “game over” de Adolfo resultou na ascensão histórica de Ivana.
















