Se tem alguém que começou 2025 jogando xadrez político de alto nível, esse alguém foi Bruno Reis. O prefeito de Salvador reverteu a narrativa criada pelo vice-governador e candidato à prefeitura, Geraldo Júnior (MDB/PT), e colocou o governador Jerônimo Rodrigues contra a parede. O motivo? O transporte público.
Durante todo o ano passado, Geraldo Júnior bateu na tecla de que a retirada de linhas de ônibus nos bairros mais carentes foi uma decisão da prefeitura, prejudicando a população. O que ele omitiu – ou melhor, mentiu – foi que essa retirada foi fruto de um acordo assinado entre a própria prefeitura, o governo do estado e a CCR Metrô, viabilizando a integração do sistema de transporte da capital.
Agora, Bruno Reis decidiu jogar no tabuleiro e reposicionar as peças. Com a retomada de linhas de ônibus para atender bairros que foram prejudicados pela retirada, o metrô perderá passageiros, tornando-se ainda mais deficitário. Hoje, o sistema opera com cerca de 320 mil passagens diárias, muito abaixo das 600 mil necessárias para que seja financeiramente sustentável. Quem cobre esse rombo? O governo do estado.
Ou seja, ao trazer de volta as linhas de ônibus, Bruno Reis transfere o problema para Jerônimo Rodrigues. Menos passageiros no metrô significa mais subsídios pagos pelo estado para manter a operação do sistema. O governador, que já lida com desafios financeiros, terá que encontrar uma forma de cobrir esse buraco.
No fim das contas, a jogada política expôs a fragilidade do discurso de Geraldo Júnior e empurrou a fatura para o colo do governador. E agora, como Jerônimo vai cobrir essa conta? Essa é a pergunta que fica.
Siqueira Costa Júnior
Ativista político, intruso na comunicação, opinador nato. Aqui teremos meu pont9 de vista s9bre algumas questões, não quer dizer que seja a melhor nem a mais correta, porém teremos frutos de debates.






















