Texto: A Defensoria Pública da Bahia (DPE/BA) emitiu uma recomendação à prefeitura de Salvador para a alteração do nome da rua Morro do Escravo Miguel, situada no bairro de Ondina. A rua, cujo nome homenageia Francisco Miguel do Prado Valadares, um construtor abastado que residiu na Bahia, vem gerando controvérsia.
Valadares, reconhecido por sua simpatia para com a comunidade afro-baiana, ganhou o apelido “Escravo Miguel” devido a uma peculiaridade. Apesar de sua riqueza, ele se autodenominava “escravo” devido à sua intensa carga de trabalho. Essa autodesignação resultou em uma brincadeira que acabou por nomear uma de suas propriedades como “Escravo Miguel”, nome que acabou sendo atribuído à rua em questão.
Entretanto, segundo Paulo Valadares, genealogista e primo de Francisco Miguel, essa denominação era meramente jocosa, pois seu parente nunca foi realmente escravo. Em uma entrevista ao Jornal da Cidade, na Rádio Metropole, Paulo esclareceu que Francisco era um homem abastado e influente, solidário à causa afro-brasileira.
A Defensoria Pública, por meio da coordenadora do Núcleo de Equidade Racial, Letícia Peçanha, destaca que a recomendação visa respeitar a história e a representatividade da população negra, propondo que a rua seja renomeada em homenagem a uma figura negra que tenha contribuído para a luta e resistência afro-brasileira.
A decisão final sobre a mudança de nome caberá à prefeitura de Salvador. Paulo Valadares menciona Carlos Kertész como testemunha da brincadeira de Francisco Miguel e ressalta que a nomeação da rua ocorreu em um contexto histórico distinto do atual.















