Faturamento do setor cresceu 7,8% em comparação com o mesmo período do ano passado. Levantamento aponta aumento nas compras, enquanto especialistas ressaltam que os dados não comprovam relação direta com a proibição das bets.
Três semanas após as restrições às plataformas de apostas, o comércio brasileiro registrou um movimento positivo, especialmente no setor de atacarejo. Segundo levantamento da NielsenIQ, 84% das lojas do segmento apresentaram crescimento nas vendas. Na semana encerrada em 25 de outubro, o faturamento avançou 7,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O levantamento, que considera um painel de 16 mil estabelecimentos, chama atenção pelo desempenho do atacarejo, tradicionalmente procurado por famílias das classes C e D para realizar compras de alimentos e produtos básicos.
Outro dado reforça o crescimento do consumo: a cesta de alimentos teve variação de apenas 0,65% no período. Isso indica que o aumento do faturamento não pode ser explicado apenas pela elevação dos preços, apontando também para um possível crescimento no volume de compras e na procura por produtos de maior valor agregado.
Entre os itens que ganharam destaque estão cervejas e refrigerantes, indicando maior movimentação também em produtos associados ao consumo de lazer e aos finais de semana.
O desempenho foi diferente em outros segmentos. Enquanto 84% dos atacarejos registraram melhora, o percentual ficou em 57% entre supermercados, farmácias e lojas de conveniência.
O cenário levantou uma discussão sobre o destino do dinheiro que antes era direcionado às apostas esportivas e plataformas de jogos online. Estimativas atribuídas ao Comitê Nacional de Secretários de Fazenda apontam que as perdas das famílias brasileiras com apostas chegaram a R$ 62,5 bilhões em 2025.
Apesar da coincidência entre as restrições às bets e o crescimento das vendas, a própria NielsenIQ ressalta que o levantamento não comprova que uma coisa tenha provocado a outra. São movimentos registrados no mesmo período, mas que não estabelecem, por si só, uma relação de causa e efeito.
O resultado, entretanto, chama atenção do comércio. Em um cenário de juros elevados e dificuldades no orçamento das famílias, o crescimento das vendas no atacarejo pode representar uma mudança importante nos hábitos de consumo.
A expectativa agora se volta para dezembro, quando as vendas de Natal poderão oferecer novos indicadores sobre o comportamento dos consumidores e a continuidade dessa recuperação.
A discussão que fica é direta: o dinheiro que antes era destinado às apostas está voltando para o comércio e para o consumo das famílias?
















