Candidatos defendem ampliar consultas e exames especializados, mas apresentam caminhos distintos para alcançar os pacientes
Propostas incluem inteligência artificial e prontuários digitais; financiamento, capacidade de atendimento e execução serão pontos centrais para avaliar a viabilidade das medidas.
A saúde pública está entre os temas em disputa no segundo turno presidencial, com Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, apresentando propostas para reduzir filas de consultas, exames e cirurgias. Os dois candidatos defendem ampliar o uso de tecnologia e melhorar a integração das informações dos pacientes, mas divergem sobre a estratégia de atendimento.
Lula prioriza a expansão de programas existentes, como o Mais Médicos, o Farmácia Popular e o Agora Tem Especialistas. Entre as medidas previstas estão mutirões, atendimento em horários adicionais e parcerias com hospitais privados para ampliar a realização de exames e cirurgias.
O candidato também defende consolidar o Prontuário Único do Cidadão e ampliar o uso de ferramentas digitais para organizar o atendimento nas unidades básicas de saúde. A inteligência artificial, segundo a proposta, poderia ajudar a identificar casos graves, apoiar diagnósticos e organizar a ordem de atendimento.
Flávio, por sua vez, propõe utilizar horários ociosos de hospitais e clínicas particulares para atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Também defende reajustar a Tabela SUS, que define os valores pagos a hospitais, Santas Casas e clínicas conveniadas pelos serviços prestados.
Na área digital, o senador prevê integrar informações dos setores público e privado por meio de prontuários eletrônicos vinculados ao CPF e à conta Gov.br. O plano também prevê utilizar inteligência artificial para identificar vagas disponíveis e pacientes com maior risco de desenvolver doenças.
As propostas têm objetivos semelhantes, mas dependem de decisões sobre financiamento, contratação de profissionais, infraestrutura, integração de sistemas e fiscalização dos serviços contratados. A ampliação do uso da rede privada também exige regras que assegurem a qualidade do atendimento e a correta aplicação de recursos públicos.
A comparação dos programas permite identificar diferenças de abordagem, mas não demonstra que as medidas já estejam implementadas ou que produzam resultados garantidos. A efetividade dependerá das decisões de governo, dos recursos disponíveis e da capacidade de execução.


















