Roberta afirma que ministros recorriam a ela e a pessoas próximas ao presidente para facilitar contatos com o governo; declaração também levanta questionamentos sobre o conhecimento de Lula a respeito dessas articulações.
Em entrevista, Roberta relatou que ministros de Estado procuravam sua ajuda e a de pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar viabilizar reuniões, obter acesso ao chefe do Executivo e dar prioridade a projetos de interesse de suas pastas.
Questionada se Lula sabia que ela ajudava a intermediar esses contatos, Roberta afirmou considerar difícil que um presidente da República desconhecesse o que acontecia ao seu redor. Durante a conversa, ela declarou que Lula sabe de sua existência há muitos anos, especialmente por sua proximidade com o filho do presidente, com quem, segundo ela, mantinha uma relação de amizade.
Ao ser questionada sobre a possibilidade de Lula não ter conhecimento dessas movimentações, Roberta levantou a hipótese de que ele pudesse não se lembrar de determinados acontecimentos. A declaração ocorreu durante uma discussão sobre o nível de conhecimento do presidente a respeito das relações e articulações mantidas por pessoas de seu entorno.
Na sequência, a entrevistada explicou que ministros, diante de dificuldades para conseguir contato com integrantes da estrutura presidencial, recorriam a ela e a Fábio em busca de auxílio. Entre os objetivos mencionados estavam conseguir reuniões com o presidente, falar com o chefe de gabinete e obter prioridade para determinados projetos.
Roberta ponderou, contudo, que os ministros não precisavam necessariamente passar por ela para falar com Lula, uma vez que, pela própria função, mantinham uma relação institucional direta com o presidente. Segundo seu relato, os pedidos de ajuda aconteciam em razão das dificuldades de comunicação e da proximidade que ela mantinha com pessoas do círculo presidencial.
As declarações levantam questionamentos sobre o funcionamento das articulações nos bastidores do governo, o acesso de terceiros a integrantes da Presidência e o conhecimento que o chefe do Executivo teria sobre essas relações. As afirmações apresentadas na entrevista, por si só, não comprovam irregularidades nem estabelecem que Lula tenha autorizado ou participado de eventuais pedidos de favorecimento.

















