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Lula chega à reta final do governo sob pressão e corre o risco de entrar para a história como o segundo presidente a perder a reeleição

Redação Boletim Bahia por Redação Boletim Bahia
5 minutos atrás
em Notícias
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Lula pede quebra completa de sigilo do caso Master: “Doa a quem doer”

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Após dois mandatos, a eleição de Dilma Rousseff e o retorno ao Palácio do Planalto depois da anulação de suas condenações pela Justiça, petista enfrenta Flávio Bolsonaro em uma disputa marcada pelo desgaste político, pelo custo de vida e pelos questionamentos sobre a condução da economia.

Luiz Inácio Lula da Silva construiu uma trajetória política que parecia improvável para muitos de seus adversários. Depois de governar o Brasil por dois mandatos consecutivos, conseguiu eleger sua sucessora, Dilma Rousseff. Anos depois, após ser preso no âmbito da Operação Lava Jato, teve suas condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), recuperou os direitos políticos e voltou à Presidência da República em 2023, derrotando Jair Bolsonaro por uma margem estreita.

Agora, em 2026, Lula enfrenta um novo teste político. O presidente disputa o segundo turno contra Flávio Bolsonaro, depois de terminar a primeira etapa da eleição atrás do adversário. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. O resultado mostra que a tentativa de conquistar um novo mandato está longe de ser uma formalidade.

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A derrota de Bolsonaro em 2022 já havia marcado a história política brasileira: ele se tornou o primeiro presidente em exercício a não conseguir a reeleição desde que essa possibilidade foi instituída no país. Se Lula perder agora, será o segundo presidente nessa condição a deixar de conquistar um mandato consecutivo.

Promessas de última hora e a velha aposta no dinheiro público

Um dos principais pontos de desgaste do governo é a percepção de que medidas econômicas e sociais anunciadas em ano eleitoral tentam recuperar o apoio popular na reta final da disputa.

O reajuste do Bolsa Família, que elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, tornou-se um dos principais exemplos desse debate. O anúncio foi feito poucas semanas antes do segundo turno, em um momento no qual o custo de vida e o orçamento das famílias ocupam espaço importante na campanha.

O governo sustenta que a correção protege o poder de compra dos beneficiários. A oposição, por sua vez, questiona o momento escolhido e aponta o risco de transformar políticas públicas em instrumentos de campanha.

O problema político de Lula é que o anúncio de um benefício maior não apaga automaticamente a insatisfação de quem enfrenta despesas com alimentação, aluguel, transporte, energia e endividamento. Para muitas famílias, a avaliação de um governo não se resume ao valor depositado na conta: envolve o quanto esse dinheiro consegue comprar e a perspectiva de melhorar de vida.

A crítica também alcança a condução fiscal. A expansão de despesas e a mobilização de recursos em ano eleitoral levantam questionamentos sobre a sustentabilidade das medidas e sobre quem pagará essa conta no futuro. Não basta anunciar novos benefícios; é necessário explicar como serão financiados sem comprometer as contas públicas.

Move Brasil: entre a promessa e a dificuldade de acesso

Outro ponto que merece atenção é o programa Move Brasil, voltado ao financiamento de veículos para profissionais que dependem deles para trabalhar, incluindo motoristas de aplicativo e entregadores.

A iniciativa foi apresentada como uma alternativa para facilitar a renovação de veículos e ampliar o acesso ao crédito. Na prática, porém, reportagens publicadas em 2026 registraram reclamações de motoristas e concessionárias sobre dificuldades de aprovação e liberação dos financiamentos.

Para quem depende do veículo para gerar renda, uma linha de crédito anunciada pelo governo só cumpre sua finalidade quando o trabalhador consegue efetivamente acessá-la, com condições compatíveis com sua capacidade de pagamento.

A existência de dificuldades operacionais não significa que o programa tenha fracassado por completo, mas revela uma distância entre a expectativa criada pelo anúncio e os obstáculos enfrentados por parte dos interessados. É justamente essa diferença entre propaganda e resultado que precisa ser cobrada de qualquer administração pública.

A economia não se mede apenas pelos números apresentados pelo governo

A avaliação da gestão Lula também passa pelo comportamento dos preços, pela situação fiscal, pelo endividamento das famílias e pela capacidade de gerar oportunidades de trabalho e renda.

É verdade que indicadores econômicos podem apresentar avanços em determinadas áreas. Ignorá-los seria tão inadequado quanto utilizar resultados positivos para desconsiderar problemas que continuam afetando a população. O debate relevante é saber se o desempenho econômico se traduz em melhora consistente na vida dos brasileiros.

A inflação, por exemplo, precisa ser analisada por períodos e indicadores específicos, e não descrita genericamente como elevada durante todos os quatro anos. Mesmo quando a inflação desacelera, o consumidor pode continuar sentindo o peso dos preços acumulados nos anos anteriores.

A mesma cobrança vale para as contas públicas. O governo precisa demonstrar que suas políticas são financeiramente sustentáveis e que não transferem custos excessivos para os próximos anos. Discursos sobre responsabilidade social perdem força quando não vêm acompanhados de transparência sobre financiamento, prioridades e resultados.

A eleição se transformou em um julgamento político do governo

A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro vai além da comparação entre duas trajetórias. Ela também representa uma avaliação sobre a continuidade do atual projeto de poder e a disposição do eleitorado de apostar em uma alternativa.

Lula já demonstrou capacidade de sobreviver a crises políticas e de retornar ao centro do poder. Mas sua história não lhe garante um novo mandato. O passado eleitoral que o levou de volta ao Planalto pode ser insuficiente diante das cobranças atuais por resultados, previsibilidade econômica e respostas concretas aos problemas cotidianos.

Se perder a eleição, Lula enfrentará uma derrota de dimensão histórica. Terá governado o país por dois mandatos consecutivos, eleito uma sucessora e, depois de retornar à Presidência, não conseguirá conquistar a reeleição. Será um desfecho que mostrará que nem mesmo uma das trajetórias políticas mais longevas do Brasil é capaz de tornar um presidente imune ao julgamento das urnas.

O resultado de 2026, entretanto, ainda depende do segundo turno. A vantagem de Flávio no primeiro turno é real, mas não representa uma vitória antecipada, e não há base para afirmar, sem uma pesquisa específica e verificável, que ele tenha 17 pontos de vantagem.

A questão central é se Lula conseguirá convencer o eleitor de que merece mais quatro anos no poder ou se o desgaste de sua administração, as dúvidas sobre a política econômica e a insatisfação de parte da população falarão mais alto.

No fim, a eleição será decidida pelos votos. E, para um presidente que já voltou ao poder depois de uma derrota histórica, a possibilidade de perder novamente mostra que a experiência política pode ajudar a conquistar uma eleição, mas não substitui a obrigação de entregar resultados.

Redação Boletim Bahia

Redação Boletim Bahia

A Redação Boletim Bahia é formada por jornalistas e colaboradores comprometidos em informar com responsabilidade, agilidade e independência. Com foco nos principais acontecimentos da Bahia e um olhar atento para as pautas locais, buscamos ampliar vozes, fiscalizar o poder e valorizar histórias que impactam a vida da população.

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