Deputados que buscavam reeleição, parlamentares que tentaram mudar de Casa e vereadores de Salvador que sonharam com a Assembleia ou a Câmara Federal estão entre os nomes que não conseguiram mandato em 2026
As eleições de 2026 produziram uma renovação significativa na política baiana e também deixaram pelo caminho uma série de nomes conhecidos do eleitorado. Políticos com mandatos em andamento, ex-deputados, ex-prefeitos e vereadores que decidiram subir um degrau na carreira eleitoral não conseguiram garantir uma cadeira para a próxima legislatura.
O levantamento considera políticos que já exerceram mandato eletivo ou ocupavam cargo político e disputaram uma nova vaga em 2026, seja tentando a reeleição, seja mudando de deputado estadual para federal, seja deixando a Câmara Municipal para buscar uma cadeira na Assembleia ou no Congresso.
Kátia Oliveira fica fora da Assembleia após dois mandatos
Um dos casos que mais chamam atenção é o da deputada estadual Kátia Oliveira (União Brasil). Depois de dois mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa da Bahia, ela tentou novamente permanecer na Casa, mas não conseguiu.
Com cerca de 98% das urnas apuradas, Kátia contabilizava 53.379 votos. Em Simões Filho, principal base eleitoral da parlamentar, foram 14.687 votos. A deputada havia sido eleita para a ALBA em 2018 e reeleita em 2022, depois de também ter exercido mandatos de vereadora em Simões Filho.
A derrota encerra, pelo menos por enquanto, uma trajetória de oito anos consecutivos na Assembleia.
Leandro de Jesus tentou chegar à Câmara Federal
Outro nome de mandato que ficou fora foi Leandro de Jesus (PL). Deputado estadual eleito em 2022, ele decidiu abandonar a disputa pela renovação na ALBA e tentar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Leandro recebeu 90.568 votos, mas terminou na 42ª posição entre os candidatos a deputado federal da Bahia. Como o estado elege 39 parlamentares, ficou fora da nova bancada baiana em Brasília.
Cacá Leão tentou voltar à Câmara
Cacá Leão (PP) também não conseguiu retornar ao Congresso. Ex-deputado estadual e ex-deputado federal, ele voltou às urnas em 2026 em busca de uma nova vaga na Câmara.
Cacá terminou com 79.572 votos, na 48ª colocação, ficando fora das 39 vagas destinadas à Bahia.
Lídice da Mata também fica fora
Outro nome de longa trajetória que não conseguiu retornar à Câmara foi Lídice da Mata (PSB). Ex-prefeita de Salvador, ex-senadora e ex-deputada federal, ela recebeu 88.450 votos e terminou na 43ª colocação.
Lídice ficou, portanto, logo depois da faixa das 39 cadeiras destinadas à Bahia.
Jorge Araújo também fica fora da CâmaraOutro nome que não conseguiu transformar o mandato de suplente em uma cadeira conquistada nas urnas foi Jorge Araújo (PP). Vereador de Salvador e deputado federal suplente em exercício desde 2026, ele disputou novamente uma vaga na Câmara, mas terminou com 24.652 votos, ficando fora das 39 cadeiras destinadas à Bahia.
Vitor Bonfim e Robinho também não conseguiram migrar para Brasília
Dois deputados estaduais que decidiram disputar uma vaga federal também ficaram pelo caminho.
Vitor Bonfim (PSB) recebeu 87.247 votos e terminou em 44º lugar. Já Robinho (União Brasil) teve 77.840 votos, ficando na 49ª posição.
Os dois chegaram à eleição de 2026 com experiência parlamentar na Assembleia Legislativa, mas não conseguiram concretizar a mudança para a Câmara Federal.
Paulo Magalhães e Charles Fernandes ficam fora da nova bancada
A lista inclui ainda Paulo Magalhães (PSD), que recebeu 81.529 votos e terminou na 46ª colocação, e Charles Fernandes (PSD), com 85.590 votos, na 45ª posição.
São dois políticos com experiência anterior na Câmara dos Deputados que tentavam permanecer ou retornar ao Congresso e não conseguiram alcançar uma das 39 vagas.
Rogéria Santos, e outros nomes conhecidos
Também ficaram fora da Câmara nomes que já tiveram atuação política relevante na Bahia.
Rogéria Santos (Republicanos) recebeu 70.292 votos e terminou em 51º na 54ª colocação. Duda de Alan Sanches (PSDB), vereador de Salvador, recebeu 57.309 votos e terminou em 55º.
Duda chegou à eleição como vereador em exercício da capital e tentou fazer a transição para Brasília. Ele já havia sido eleito vereador em Salvador em quatro eleições consecutivas, em 2012, 2016, 2020 e 2024.
Maurício Trindade: ex-deputado federal tentou voltar
Outro caso emblemático é o de Maurício Trindade (PSDB). Médico, ex-deputado federal e vereador de Salvador, ele tentou novamente chegar à Câmara dos Deputados.
Maurício recebeu 44.543 votos e terminou na 60ª colocação. Sua trajetória inclui mandatos de deputado federal em 2006 e 2010, além de mandatos de vereador em Salvador.
Vereadores de Salvador também ficaram pelo caminho
A eleição de 2026 colocou a Câmara Municipal de Salvador no centro da disputa proporcional. Ao todo, 14 vereadores da capital entraram na corrida por vagas na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal: sete para cada Casa.
Entre os vereadores que tentaram a Câmara Federal e não conseguiram estão Duda Sanches, Eliete Paraguassu, Professor Hamilton Assis, Kel Torres, Débora Santana e Maurício Trindade.
Eliete recebeu 19.559 votos, Hamilton Assis 19.999, Kel Torres 13.638 e Débora Santana 9.637. Todos ficaram fora das 39 vagas federais.
Hamilton, que foi eleito vereador de Salvador em 2024, já havia disputado eleições para deputado federal, vereador, prefeito e senador.
Cézar Leite tentou novamente chegar à Assembleia
Na disputa estadual, um dos nomes mais conhecidos de Salvador a ficar fora foi Cézar Leite (PL).
Vereador da capital, eleito em 2016 e novamente em 2024, Cézar decidiu tentar uma vaga na Assembleia Legislativa. Antes disso, já havia disputado eleições para deputado federal, prefeito de Salvador e deputado estadual.
Em 2022, recebeu 40.614 votos para deputado estadual e ficou como suplente. Em 2026, voltou a tentar uma cadeira na ALBA, mas não conseguiu.
Matheus de Geraldinho (MDB) também ficou fora da próxima legislatura. Deputado estadual eleito em 2022, ele tentou a reeleição em 2026, mas recebeu cerca de 40,6 mil votos, insuficientes para garantir uma das 63 cadeiras da Assembleia Legislativa da Bahia.
A eleição que mudou a composição política
O resultado de 2026 mostra que experiência eleitoral e mandato anterior não garantiram a permanência no Legislativo. Alguns candidatos chegaram à disputa com dezenas de milhares de votos e, ainda assim, ficaram fora.
No caso dos deputados federais, a Bahia elege 39 representantes. Na apuração disponível, candidatos como Leandro de Jesus, Lídice da Mata, Vitor Bonfim, Charles Fernandes, Paulo Magalhães, Cacá Leão, Robinho, Rogéria Santos e outros apareceram depois da faixa dos eleitos.
Na Assembleia Legislativa, são 63 cadeiras, e a disputa também produziu baixas entre políticos que já exerciam mandato. O caso de Kátia Oliveira é um dos mais expressivos entre os parlamentares que tentavam diretamente a reeleição.
A eleição proporcional, porém, não depende exclusivamente da votação individual. A distribuição das cadeiras considera também o desempenho dos partidos e federações, conforme as regras do sistema proporcional.
Os principais nomes que ficaram pelo caminho
Deputado federal
- Leandro de Jesus — deputado estadual; tentou vaga federal — 90.568 votos
- Lídice da Mata — ex-prefeita, ex-senadora e ex-deputada federal — 88.450
- Vitor Bonfim — deputado estadual; tentou vaga federal — 87.247
- Charles Fernandes — ex-deputado federal — 85.590
- Paulo Magalhães — deputado federal — 81.529
- Cacá Leão — ex-deputado estadual e federal — 79.572
- Robinho — deputado estadual; tentou vaga federal — 77.840
- Rogéria Santos — ex-deputada federal e vereadora — 70.292
- Félix Mendonça Jr. — ex-deputado federal — 57.595
- Duda de Alan Sanches — vereador de Salvador — 57.309
- Maurício Trindade — ex-deputado federal e vereador de Salvador — 44.543
- Capitão Tadeu — ex-deputado estadual — 18.236
- Marcelo Nilo — ex-presidente da Assembleia Legislativa — 17.024
- Luiz Argôlo — ex-deputado federal — 16.911
Deputado estadual
- Kátia Oliveira — deputada estadual, ex-vereadora de Simões Filho; tentou a reeleição e ficou fora da ALBA — 53.379 votos, com cerca de 98% das urnas apuradas.
- Cézar Leite — vereador de Salvador; tentou uma vaga na Assembleia.
O resultado deixa uma marca importante na política baiana: nomes que já ocuparam prefeituras, cadeiras na Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa e Câmara Municipal de Salvador não conseguiram, em 2026, renovar ou ampliar seus mandatos.
A eleição, ao mesmo tempo, abriu espaço para novos nomes e alterou a composição das bancadas baianas em Brasília e na Assembleia Legislativa.

















