O documentário 963 Dias — A História de um Presidente que Recolocou o Brasil nos Trilhos, que revisita o período em que Michel Temer (MDB) esteve à frente da Presidência da República após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), foi exibido nesta sexta-feira (14), em Salvador. A sessão integrou a programação especial pelos 215 anos da Associação Comercial da Bahia (ACB) e reuniu convidados dos meios político, empresarial e jurídico.
Dirigido por Bruno Barreto, o filme reúne depoimentos do próprio ex-presidente, além de jornalistas, economistas, juristas e políticos que acompanharam os acontecimentos entre 2016 e 2018. A sessão em Salvador contou com a presença de Michel Temer, da presidente da ACB, Isabela Suarez, do ex-prefeito de Salvador Antônio Imbassahy e de outras personalidades.
A produção teve sua pré-estreia em São Paulo, em junho, e, após a passagem por Salvador, tem previsão de seguir para o Rio de Janeiro. Posteriormente, o documentário deve ser disponibilizado em plataformas de streaming ainda em 2026.
Entre os assuntos abordados está a formação da chapa que levou Temer à Vice-Presidência durante o governo Dilma Rousseff. No filme, o ex-presidente relembra, em tom bem-humorado, a articulação para a escolha do candidato a vice e afirma que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicialmente não queria seu nome na composição.
O documentário também recupera os acontecimentos que resultaram no impeachment de Dilma Rousseff e na chegada de Temer à Presidência, em 2016. O processo é apresentado a partir de diferentes avaliações sobre os aspectos políticos e jurídicos que envolveram o afastamento da então presidente.
A advogada Luciana Temer, filha do ex-presidente, afirma ser contrária ao impeachment, mas diferencia sua avaliação política da classificação jurídica do processo. Para ela, o afastamento não foi positivo para o país do ponto de vista democrático, mas não poderia ser classificado como golpe, já que o mecanismo está previsto na Constituição.
O advogado Antônio Mariz, que representa Temer, também comenta no filme as acusações de que o impeachment teria feito parte de uma articulação para tomada do poder. Segundo ele, não existiriam condições políticas para que Temer conseguisse mobilizar todo o Congresso nesse sentido.
O diretor da Folha de S.Paulo, Sérgio Dávila, participa da produção e faz uma comparação com o golpe militar de 1964 ao abordar o tema.
O filme ainda apresenta uma análise do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, sobre os processos de impeachment realizados após a Constituição de 1988, destacando os casos de Fernando Collor e Dilma Rousseff.
Entre os entrevistados também estão o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia, as jornalistas Raquel Landim e Consuelo Dieguez e o economista Henrique Meirelles, que comandou o Ministério da Fazenda durante o governo Temer.
O publicitário Nizan Guanaes aborda o cenário político enfrentado pelo governo na tentativa de aprovar medidas consideradas impopulares. Entre os temas citados está a Reforma Trabalhista, aprovada durante a gestão Temer.
Bruno Barreto também fala sobre o processo de produção e afirma que teve liberdade para conduzir o trabalho, sem censura. Segundo o diretor, houve preocupação em reconstruir o período com fidelidade, a partir dos acontecimentos políticos, econômicos e institucionais que marcaram os 963 dias de Temer no Palácio do Planalto.
A exibição em Salvador fez parte da programação comemorativa dos 215 anos da ACB. A sessão reuniu representantes da política baiana, como o ex-prefeito Antônio Imbassahy, o ex-deputado Benito Gama, o deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil) e o presidente de honra do MDB na Bahia, Lúcio Vieira Lima, além de empresários e outros convidados.
A primeira sessão para convidados ocorreu em São Paulo, em junho. A partir de Salvador, a produção deve seguir para outras cidades antes de chegar às plataformas de streaming.

















