Enquanto ACM Neto cobrou resultados, obras e problemas da Bahia, Jerônimo Rodrigues evitou o confronto direto, recorreu a Mansur e terminou o debate sem apresentar uma proposta concreta para um eventual segundo mandato
O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Bahia, realizado pela Band neste domingo (9), deixou uma impressão clara: ACM Neto entrou no confronto para cobrar diretamente o governador Jerônimo Rodrigues, enquanto Jerônimo pareceu fazer o possível para evitar um embate frontal com seu principal adversário.
Neto colocou na mesa os principais problemas da Bahia — violência, fila da regulação, Planserv, BR-324, Ponte Salvador-Itaparica e obras prometidas — e tentou obrigar o governador a responder pelo desempenho de sua gestão.
Jerônimo, porém, pouco apresentou como projeto para um eventual novo mandato. Em vez de responder objetivamente às cobranças e apresentar propostas para os próximos quatro anos, preferiu atacar a trajetória de ACM Neto e, em diferentes momentos, recorrer a Ronaldo Mansur para fazer o enfrentamento político.
A impressão deixada foi a de que Mansur funcionou como um espantalho político, utilizado por Jerônimo para atacar Neto sem assumir diretamente o confronto com o principal candidato de oposição.
O contraste foi evidente: Neto procurava Jerônimo; Jerônimo procurava Mansur.
Quando finalmente foi pressionado diretamente, especialmente na discussão sobre a BR-324, Jerônimo elevou o tom, acusou Neto de ser agressivo e levou o debate para o campo pessoal. Mas novamente deixou de responder de forma objetiva às cobranças sobre sua administração.
O resultado foi um debate em que o governador, candidato à reeleição, falou muito mais sobre ACM Neto do que sobre aquilo que pretende fazer pela Bahia nos próximos quatro anos.
Se Neto tentou transformar o debate em uma prestação de contas do governo, Jerônimo tentou transformar o debate em uma discussão sobre o adversário.
E essa talvez tenha sido a principal fotografia do primeiro confronto eleitoral: ACM Neto enfrentou Jerônimo. Jerônimo, quando pôde, preferiu usar Mansur como escudo para não enfrentar Neto.

















