Indicadores avançam, mas estado continua distante das primeiras posições nacionais e ainda figura entre os piores desempenhos do país em etapas importantes da educação básica.
O Governo da Bahia comemorou a divulgação do Ideb 2025, que apontou os melhores índices da série histórica iniciada em 2005. Os números mostram crescimento em todas as etapas da educação básica: os anos iniciais do ensino fundamental passaram de 5,3 para 5,7; os anos finais subiram de 4,2 para 4,5; e o ensino médio avançou de 3,9 para 4,0.
Embora os resultados representem uma evolução estatística, eles estão longe de significar uma mudança estrutural na qualidade do ensino baiano. A realidade é que a Bahia continua figurando entre os estados com pior desempenho do país em diversas etapas do Ideb, especialmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
A melhora de alguns décimos no indicador não elimina um problema histórico: o estado ainda não conseguiu transformar investimentos e sucessivas promessas em um salto de qualidade capaz de aproximar seus estudantes dos melhores sistemas educacionais do Brasil.
Enquanto outras unidades da federação consolidaram avanços consistentes nos últimos anos, a Bahia segue comemorando metas que, no cenário nacional, ainda representam desempenho abaixo da média dos estados mais bem colocados.
Outro ponto que merece atenção é que o Ideb leva em consideração não apenas o aprendizado dos estudantes, mas também as taxas de aprovação. Isso significa que a evolução do índice, por si só, não garante que os alunos estejam aprendendo mais ou alcançando níveis satisfatórios de proficiência em português e matemática.
Após cerca de 20 anos da mesma orientação política no comando do Estado, os resultados continuam aquém do esperado para uma Bahia que possui uma das maiores populações estudantis do país.
O crescimento registrado em 2025 é positivo, mas insuficiente para esconder que milhares de estudantes ainda convivem com baixos níveis de aprendizagem e que o estado permanece distante das referências nacionais em educação.
Em vez de celebrar apenas o maior índice da série histórica, o debate deveria se concentrar em uma questão mais relevante: por que a Bahia, mesmo após décadas de investimentos e programas educacionais, ainda não consegue deixar a parte de baixo do ranking nacional e oferecer um ensino compatível com o potencial de sua população?

















