Carga tributária elevada, menor burocracia e incentivos fiscais impulsionam a migração de indústrias, enquanto brasileiros já representam mais da metade dos pedidos de residência no Paraguai.
O Paraguai deixou de ser apenas um destino para compras na fronteira e passou a ocupar posição estratégica no planejamento de empresas brasileiras. A combinação de baixa carga tributária, incentivos fiscais e menor custo operacional tem levado cada vez mais indústrias a instalar linhas de produção no país vizinho.
Dados do governo paraguaio mostram que 232 empresas brasileiras já operam oficialmente no Paraguai dentro do regime da Lei de Maquila, programa criado para atrair investimentos estrangeiros. As empresas brasileiras representam cerca de 70% de todas as maquiladoras estrangeiras instaladas no país, consolidando o Brasil como o principal investidor nesse modelo de produção.
O principal diferencial é o ambiente tributário. Enquanto uma indústria brasileira enfrenta uma das maiores cargas tributárias do mundo, empresas enquadradas no regime de maquila pagam, em média, cerca de 12% em tributos, além de contarem com isenções para importação de máquinas, equipamentos e matérias-primas destinadas à exportação. O custo de produção pode ser reduzido em até 40%, dependendo do setor.
Além da tributação mais baixa, empresários apontam como fatores decisivos a menor burocracia, maior segurança jurídica, rapidez na abertura de empresas, energia elétrica mais barata, encargos trabalhistas reduzidos e um ambiente regulatório considerado mais previsível.
O movimento já ultrapassa o ambiente corporativo e alcança também as famílias. Os brasileiros responderam por aproximadamente 58% dos pedidos de residência registrados no Paraguai em 2025, demonstrando que a migração não se limita aos empresários, mas também envolve profissionais, investidores e famílias que buscam oportunidades e menor custo de vida.
Especialistas avaliam que o avanço das empresas brasileiras no Paraguai expõe um desafio para a competitividade da economia nacional. Embora o Brasil continue oferecendo um mercado consumidor muito maior e uma infraestrutura mais robusta, a elevada carga tributária, o excesso de burocracia e o chamado “Custo Brasil” têm levado empresários a buscar alternativas para manter a competitividade e ampliar suas margens de lucro.
O crescimento das maquiladoras paraguaias reforça que a disputa por investimentos na América do Sul passa cada vez mais pela capacidade dos países de oferecer um ambiente de negócios eficiente, previsível e com menor peso tributário. Enquanto o Paraguai amplia sua participação como polo industrial da região, o Brasil segue enfrentando o desafio de reduzir entraves que continuam incentivando empresas a produzir além de suas fronteiras.

















