Pesquisas apontam redução no consumo de alimentos e bebidas, enquanto empresas como o McDonald’s já adaptam seus cardápios ao novo perfil de consumidor.
O avanço das canetas emagrecedoras já começa a transformar os hábitos de consumo dos brasileiros e acende um alerta para o setor de alimentação. Restaurantes, bares, supermercados e indústrias acompanham uma mudança no comportamento dos clientes, que passaram a comer menos e a fazer escolhas diferentes.
Uma pesquisa divulgada pelo InfoMoney, realizada com mais de 2 mil adultos brasileiros, revelou que 6% dos adultos no país já utilizaram canetas emagrecedoras e que o uso desses medicamentos cresceu 240% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já um levantamento da Euromonitor International, divulgado pela Bloomberg Línea, aponta que 5% dos brasileiros utilizam medicamentos dessa categoria, índice superior à média global, de 3,7%.
Outro estudo, realizado pela NielsenIQ, mostra que 4,6% dos lares brasileiros já utilizavam canetas injetáveis em janeiro de 2026. No mesmo período, o índice chegava a 12% nos Estados Unidos e 15% no Canadá, indicando espaço para crescimento do mercado brasileiro.
O impacto já aparece no consumo.
Clientes continuam frequentando restaurantes, mas deixam de pedir entradas, sobremesas e bebidas, optam por dividir pratos ou escolher porções menores, reduzindo o valor médio das comandas e pressionando a margem de lucro dos estabelecimentos.
A mudança de comportamento já levou grandes empresas a reagirem. Durante a apresentação de resultados financeiros realizada em fevereiro de 2026, o McDonald’s informou que está testando novos itens voltados aos consumidores que utilizam canetas emagrecedoras, com refeições menores, maior teor de proteínas e redução de carboidratos e açúcar.
O levantamento também destaca uma mudança mais ampla no padrão de consumo. Dados do G1 mostram que 55% da Geração Z brasileira não consome bebidas alcoólicas, enquanto 43% dos jovens que bebem afirmam querer reduzir esse consumo. Paralelamente, cresce a procura por alimentos ricos em proteínas e bebidas sem álcool.
Para especialistas do mercado, a tendência é que esse movimento se intensifique nos próximos anos, exigindo que empresas adaptem seus produtos e estratégias para um consumidor que continua comprando, mas passou a consumir de forma diferente.

















