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A decisão da Prefeitura do Rio reacende um debate urgente: enquanto bilhões de reais migram para as apostas online, o comércio perde clientes, famílias acumulam dívidas e cresce um vício silencioso que já preocupa especialistas. Será que Salvador não deveria seguir o mesmo caminho?
A decisão da Prefeitura do Rio de Janeiro de proibir a publicidade de casas de apostas em espaços públicos coloca o Brasil diante de uma discussão que não pode mais ser adiada. As bets deixaram de ser apenas entretenimento para se tornarem um problema econômico e social que atinge milhões de brasileiros.
Os números impressionam. Estima-se que cerca de R$ 30 bilhões por mês sejam movimentados pelas plataformas de apostas, enquanto o comércio brasileiro já deixou de faturar mais de R$ 140 bilhões nos últimos anos. É dinheiro que deixa de circular em supermercados, mercadinhos, restaurantes, oficinas, salões de beleza e pequenos negócios para alimentar um mercado que cresce na mesma velocidade em que aumentam os casos de endividamento e dependência.
O vício em apostas já é tratado como um problema de saúde pública. Famílias são desestruturadas, trabalhadores comprometem sua renda e milhares de brasileiros entram em um ciclo de perdas cada vez mais difícil de abandonar.
Diante desse cenário, a medida adotada pelo Rio de Janeiro merece ser elogiada e pode servir de inspiração para outras cidades. Salvador não precisa de casas de apostas para financiar sua cultura, seus shows ou seu Carnaval. Durante décadas, grandes eventos foram realizados com o apoio de empresas de diversos setores da economia, sem a necessidade de transformar o jogo em ferramenta de publicidade permanente.
Fica o apelo para que o prefeito Bruno Reis analise a iniciativa do Rio e adote medidas semelhantes na capital baiana, proibindo a publicidade de bets em outdoors, ônibus e demais espaços públicos. Assim como ocorreu com a propaganda de cigarros, limitar a exposição às apostas pode representar um importante passo para proteger famílias, fortalecer o comércio local e impedir que um vício silencioso continue avançando sobre a sociedade brasileira.
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