Empresários relatam que criminosos voltaram a exigir pagamentos para garantir o funcionamento dos estabelecimentos. Polícia investiga os casos, mas moradores afirmam que a sensação é de que, após as operações, o crime retoma o controle da região.
O comércio da região do Bonocô voltou a ser alvo da criminalidade. Informações obtidas pelo Boletim Bahia apontam que comerciantes estão sendo novamente vítimas de extorsão praticada por integrantes de facções criminosas que atuam na localidade.
Segundo relatos de empresários ouvidos pela reportagem, que preferiram não se identificar por medo de represálias, homens chegam aos estabelecimentos em motocicletas e automóveis alguns sem placas ou com suspeita de placas clonadas pedem para falar com o proprietário ou gerente e deixam o recado de forma direta: a área pertence à facção e, para que o comércio continue funcionando “em segurança”, é necessário pagar uma taxa ao tráfico.
Na prática, trata-se de um sistema de extorsão imposto pelo crime organizado. Quem paga compra uma falsa sensação de proteção.
Quem se recusa convive com o medo de sofrer represálias.Os comerciantes afirmam que esse tipo de cobrança já havia ocorrido anteriormente. Segundo eles, as extorsões diminuíram após operações realizadas pela Polícia Militar na região, mas voltaram a acontecer nos últimos meses, reacendendo o clima de insegurança.A reportagem procurou a Polícia Militar da Bahia, que não comentou o caso.
Entretanto, em conversas reservadas, fontes ligadas às forças de segurança confirmaram que as denúncias são de conhecimento da polícia e que as investigações buscam identificar suspeitos por meio de câmeras de monitoramento instaladas na região.O problema, porém, vai além da identificação dos criminosos. Policiais fazem seu trabalho, prendem suspeitos e realizam operações.
Mas, segundo moradores e comerciantes, falta presença permanente do Estado. A percepção é de que as ações acontecem de forma pontual: a polícia entra, realiza a operação, deixa o bairro e, pouco tempo depois, as facções retomam o controle das ruas como se nada tivesse acontecido.
É justamente essa ausência contínua do poder público que alimenta a sensação de abandono. Em muitos bairros da Bahia, a população convive com a impressão de que quem dita as regras não é o Estado, mas o crime organizado.
Enquanto isso, comerciantes trabalham sob ameaça, moradores vivem com medo e a violência segue avançando.
O episódio ocorrido recentemente no interior da Bahia, quando um jovem foi retirado de uma policlínica e executado diante de diversas pessoas, reforça a percepção de que a ousadia das facções cresce à medida que o Estado perde espaço.
A Bahia não pode aceitar como normal que empresários sejam obrigados a pagar ao tráfico para manter suas portas abertas.
Quando criminosos passam a cobrar “impostos” e decidir quem trabalha e quem não trabalha, o problema já deixou de ser apenas de segurança pública: passa a ser um grave sinal de enfraquecimento da autoridade do Estado.

















