O dólar subiu nesta terça-feira (23) em meio à crescente aversão ao risco global, fechando no patamar mais alto em quase três meses. A bolsa de valores avançou pouco mais de 0,5%, reflexo parcial do alívio após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

No exterior, investidores observaram a queda das ações de tecnologia nos EUA, indicadores sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed) e as negociações de petróleo, que encerrou em baixa diante do cenário geopolítico.
Câmbio pressionado
O dólar à vista terminou o dia valorizado em 0,89%, cotado a R$ 5,187, o maior fechamento desde 30 de março. A moeda chegou a R$ 5,19 durante a sessão.
O movimento refletiu a busca por segurança diante da expectativa de novos dados de inflação nos EUA, que podem influenciar as decisões do Fed sobre juros. Indicadores recentes de atividade econômica americana acima do esperado aumentaram as apostas de manutenção de uma política monetária mais restritiva.
Bolsa vira o sinal
O Ibovespa encerrou o pregão em 171.258 pontos, com alta de 0,52%, depois de registrar queda pela manhã acompanhando o movimento negativo dos mercados internacionais.
A recuperação foi liderada por ações da Petrobras, grandes bancos e empresas ligadas ao ciclo econômico. A queda nas taxas de juros futuros após a divulgação da ata da última reunião do Copom também ajudou a melhorar o desempenho da renda variável.
No documento, o BC sinalizou a possibilidade de pausar o corte de juros, conforme o cenário internacional. A divulgação da ata amenizou parte do desconforto gerado pelo comunicado da reunião anterior, quando o Copom não havia indicado os próximos passos para a Selic.
Cenário externo
Nos Estados Unidos, o índice Nasdaq recuou cerca de 2%, afetado por realização de lucros em empresas de tecnologia e inteligência artificial. Simultaneamente, o mercado acompanhou sinais de força da economia americana antes da divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal indicador de inflação monitorado pelo Fed.
Na Europa, dados mais fracos de atividade econômica também contribuíram para ampliar a cautela dos investidores.
Petróleo recua
O petróleo terminou o dia em queda, com o mercado atento às negociações entre Estados Unidos e Irã e possíveis alterações no fluxo da commodity pelo Estreito de Ormuz.
O contrato Brent para setembro, referência para a Petrobras, recuou 0,93%, para US$ 76,80 por barril. O WTI, barril do Texas, para agosto, recuou 0,88%, encerrando em US$ 73,21 por barril.
A perspectiva de aumento da oferta com a flexibilização das restrições ao petróleo iraniano pressionou os preços, enquanto investidores aguardam novos sinais sobre o equilíbrio do mercado global.
*Com informações da Reuters
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