A Marcha do Orgulho Trans, realizada anualmente desde 2018 no centro da capital paulista, não acontecerá em 2026.

Em comunicado à imprensa divulgado na última sexta-feira (31), o Instituto SSEX BBOX informou que deixará de organizar o evento.
“A decisão de não mais organizar a Marcha do Orgulho Trans de São Paulo representa um momento decisivo de transformação para a instituição. O cenário da comunidade trans mudou significativamente nos últimos nove anos – e suas necessidades e desejos, assim como os do Instituto [SSEX BBOX], também evoluíram.”
O evento costumava ocorrer na mesma semana da Parada do Orgulho LGBT+, que este ano será no domingo (7).
No comunicado, o Instituto informou que abrirá inscrições para que outros grupos assumam a organização do evento nos próximos anos.
“Se antes a Marcha ocupava um lugar central e impulsionador, hoje ela coexiste com diversos outros eventos liderados por pessoas trans, igualmente potentes na celebração da nossa comunidade em toda a sua diversidade.”
Patrocínio
Na semana passada, o fundador do SSEX BBOX, Lyon Adryan Ror, disse à colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, que o evento enfrentava dificuldades devido à redução de patrocínios. Segundo ele, os incentivos de empresas norte‑americanas a eventos LGBTQIA+ diminuíram desde que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos.
“Esse ecossistema de investimento e patrocínio ligado às iniciativas LGBTQIA+ mudou consideravelmente nos últimos anos. Isso teve impacto direto em muitas organizações, projetos culturais e iniciativas independentes — e nós não somos diferentes”, afirmou à colunista.
A diminuição de patrocínios também afetou a Parada do Orgulho LGBT+ neste ano. Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT‑SP), Nelson Matias Pereira, relatou uma queda de 60 % na receita com patrocinadores, o que comprometeu não só a organização da Parada, mas também as ações sociais e culturais da associação.
“Se você observar, eu vou ter só dois patrocinadores na Parada, e já tivemos seis grandes empresas [patrocinando]. Eu sei que é um ano difícil, é um ano em que vamos ter Copa, é um ano político, mas essa redução já vem se desenhando há um tempo”, afirmou Pereira.
Na edição deste ano foram confirmadas presenças de artistas como Gloria Groove, Pepita, Diego Martins e Melody, entre outros. Alguns anunciaram que abrirão mão de seus cachês para fortalecer a manifestação.
Com o tema “30 Anos Parada SP: A Rua Convoca, a Urna Confirma”, a edição de 2026 propõe uma reflexão sobre mobilização popular, participação política e a permanência da ocupação das ruas como espaço democrático de cidadania, diversidade e visibilidade LGBT+.
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