Em 2002, a seleção brasileira conquistou o pentacampeonato mundial de futebol. Durante a comemoração do título, o lateral‑direito Cafú segurou a taça entre as mãos e a beijou. Nesse exato instante, foi envolvido por uma nuvem de fumaça e por uma chuva de papel picado prateado. O momento foi registrado e eternizado pela câmera e pelo olhar do fotojornalista Paulo Pinto, espalhando‑se pelo mundo.

Agora, essa fotografia de Cafú beijando a taça de campeão do mundo está sendo exibida gratuitamente em uma nova mostra na capital paulista, no Instituto Via Foto, ao lado do Largo da Batata, em Pinheiros.
Gratuita, a exibição é dedicada ao futebol e ficará aberta até 9 de agosto.
A foto de Paulo Pinto, que atualmente integra a equipe de fotografia da Agência Brasil, foi instalada no corredor, junto a outras dez imagens que narram um pouco da história do Brasil nas Copas do Mundo. “A exposição é magnífica”, afirma o jornalista Juca Kfouri, do programa Trio de Ataque da TV Brasil, responsável pelo texto de abertura da mostra.
“Para quem gosta de futebol, ela é imperdível. Para quem gosta de fotos, também é imperdível. Para quem ama futebol e fotos, nem se fala.”
Essa pequena mostra precede a exposição Futebol: Território–Êxtase, apresentada na sala principal do Instituto Via Foto e curada por Eder Chiodetto. A mostra reúne trabalhos de 23 fotógrafos e propõe um olhar contemporâneo sobre o futebol brasileiro por meio da fotografia.
“O futebol sempre foi meu principal guia na fotografia esportiva. Cada Copa do Mundo nos faz despertar o que há de mais sagrado nesse meio: o carinho pela seleção brasileira”, contou Paulo Pinto à reportagem da Agência Brasil.
Para o fotojornalista, estar presente no momento em que o país se sagrou campeão mundial foi “uma das maiores satisfações” da sua carreira.
“É um sonho realizado e imortalizado em uma imagem que circulou o mundo. Estou feliz por poder compartilhar isso com todos que amam fotografia e futebol.”
Mostra anual de fotojornalismo
Além da imagem no Instituto Via Foto, outra foto de Paulo Pinto também integra a 20ª Mostra Anual de Fotojornalismo, evento gratuito organizado pela Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado de São Paulo (ARFOC‑SP), que permanece em cartaz até 28 de junho.
Considerada a maior mostra coletiva de fotojornalismo do Brasil, este ano a exposição está distribuída em quatro espaços: a Praça Dom José Gaspar, a Biblioteca Mário de Andrade, a Galeria do Edifício Zarvos e a Galeria ARFOC, todas na Avenida São Luís, no centro da capital.
A mostra oferece um amplo panorama visual do Brasil e do mundo contemporâneo e celebra duas décadas de produção fotojornalística e de videorreportagem no país.
No total, a mostra reúne 272 fotografias e 13 vídeos. Entre eles, destaca‑se uma imagem das mãos de Dona Zilda Maria de Jesus segurando uma correntinha com as iniciais de seu nome e de seu filho Fernando Luiz de Paula, assassinado nas chacinas de Barueri, Osasco e Itapevi, em agosto de 2015. Os crimes foram vingança por mortes de um policial militar e de um guarda‑civil ocorridas dias antes, cometidos por PMs.
“Participar da 20ª Mostra de Fotojornalismo da ARFOC‑SP é mais que reconhecimento; é a certeza de que essa caminhada no fotojornalismo atingiu seus objetivos”, afirmou Paulo.
“A foto que integra essa mostra retrata fielmente nossa sociedade atual, onde as ‘forças de Estado’ oprimem os mais fracos e deixam desamparadas as famílias. Nosso papel como fotojornalistas é ser os olhos e a voz de quem não tem.”
Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da ARFOC‑SP, Toni Pires, destacou a trajetória de Paulo Pinto, que já passou por veículos como O Estado de S. Paulo e Diário Popular.
“Paulo Pinto é um exímio contador de histórias visuais do futebol, mas também um profissional atento às mazelas sociais e aos problemas dos menos favorecidos diante de um poder pré‑estabelecido. Seu olhar ajuda a contar uma narrativa mais sensível e humana do cotidiano brasileiro.”
Pires afirma que a Mostra Anual de Fotojornalismo não só repensa a prática jornalística como também promove reflexões sobre os acontecimentos da sociedade. Por isso, este ano o objetivo é ampliar o alcance, conquistando espaços mais abertos.
“Estamos deixando de conversar apenas com nossos pares para levar o fotojornalismo brasileiro a um público muito maior. A ocupação da Praça Dom José Gaspar é a cereja do bolo: são 74 cavaletes exibindo quase 150 fotos. Na Biblioteca Mário de Andrade temos a ‘seta do tempo’, uma imagem de cada um dos 20 anos. Nas Galerias Zarvos e ARFOC, apresentamos ensaios e videorreportagens”, destacou.
Segundo Pires, cada imagem dessa mostra ajuda a contar um pouco da história do país, passando por cultura, entretenimento, poesia, tragédias e conflitos. “Temos tragédias climáticas, sociais, mas também shows, espetáculos, esportes e outras manifestações culturais. Esse é o trabalho mais puro e representativo do fotojornalismo brasileiro”, concluiu.
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