Começa nesta quinta‑feira (28) a Mostra Ecofalante de Cinema, um dos principais eventos que une o audiovisual a reflexões sobre justiça social e climática. Serão exibidos 104 filmes de 27 países, incluindo obras premiadas em renomados festivais internacionais, como Cannes, Sundance, Berlim, Roterdam, Locarno, Montreal, Guadalajara e Tribeca. A programação vai até 10 de junho.

A 15ª edição do evento homenageia a produtora Zita Carvalhosa, importante nome da formação audiovisual e ex‑curadora do Museu da Imagem e do Som (MIS), falecida em 2025. Ela fundou o Festival Internacional de Curtas‑Metragens de São Paulo, o Kinoforum.
Em sessão fechada para convidados, o longa‑metraje O Urso Inconveniente, coprodução entre Estados Unidos e Reino Unido, abrirá a mostra. A obra, de Gabriela Osio Vanden e Jack Weisman, vencedora do prêmio do júri para documentários no Festival de Sundance, retrata a tensão gerada pela aproximação de um urso a comunidades humanas.
Destaques
Entre os destaques da programação está Nossa Terra, primeiro documentário da diretora argentina Lucrecia Martel. Inédito em São Paulo, o longa aborda a expropriação das terras dos diaguita, na província de Tucumán, episódio que culminou no assassinato do líder indígena Javier Chocobar.
O filme de Martel é um dos quatro exibidos na sexta‑feira (29) que têm como foco as violências sofridas por povos originários em seus territórios. Também nessa temática está O Sal de Katwe, coprodução de Uganda e Suécia, do diretor Nima Shirali. A obra retrata o universo dos extrativistas que lutam para sobreviver após ficarem presos a uma região devastada pela colonização alemã.
Completam a lista Suriname, a Lei do Rio e a do Dinheiro, em que os diretores Lonnie van Brummelen, Siebren de Haan e Tolin Alexander apresentam o cotidiano de um barqueiro quilombola na floresta tropical; e Runa Simi, que rendeu a Augusto Zegarra, do Peru, o prêmio de melhor diretor de documentário estreante no Festival de Tribeca. No filme, um dublador peruano tenta convencer a Disney a fazer uma versão de O Rei Leão (1994) na língua nativa quéchua.
Outras quatro temáticas guiam e organizam a programação: Conflitos, Guerra e Memória; Palestina: Apagamentos e Resistências; Feminismos, Corpo e Lutas de Gênero; Democracia, Ética e Justiça; e Emergência Climática e Crise Ambiental. Os impactos das mudanças climáticas são o foco de Inverno Implacável, filme que narra o desafio de dois jovens para proteger 2 mil cavalos durante um inverno sem precedentes na Mongólia.
Também há debate sobre o adoecimento decorrente das jornadas exaustivas de trabalho. Uma das obras que abordam essa temática é Querido amanhã, documentário de Kaspar Astrup Schröder sobre a solidão de japoneses que utilizam uma linha de apoio onde voluntários oferecem suporte em momentos de crise.
Curtas
No total, 20 obras nacionais competirão na categoria Concurso Curta Ecofalante. A maioria é dirigida por cineastas mulheres e os recortes variam de cultura popular, candomblé, modo de vida de comunidade pesqueira a laços familiares, povos indígenas, direito à moradia e escravidão.
A programação completa está no site oficial da mostra. Os filmes estarão em cartaz no Reserva Cultural, no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e em salas do Circuito SPCine, que garantirá acesso a estudantes da rede pública e ao público em geral nos Centros Educacionais Unificados (CEUs). As plataformas de streaming Itaú Cultural Play e SPcine Play também disponibilizarão os filmes gratuitamente.
Serviço
15ª Edição da Mostra Ecofalante
De 28 de maio a 10 de junho, em São Paulo
Exibição de filmes em salas de cinema e sessões online, debates, bate‑papos com realizadores e críticos, oficinas e masterclass
Entrada gratuita.
Confira a programação completa no site da mostra.
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