Muitas pessoas têm me procurado para perguntar se eu sei como será a relatoria da PEC 6×1 nas mãos do deputado Leo Prates e, principalmente, a quem esse relatório poderá agradar: ao governo, aos trabalhadores ou aos empresários.
Faço questão de deixar claro desde o início: o que escrevo aqui é uma opinião pessoal, construída pela convivência, amizade e pelo conhecimento que tenho da pessoa e do parlamentar que é Léo Prates. Não falo em nome dele, não antecipo decisões e não trato isso como posicionamento oficial do deputado.
Conheço Leo há bastante tempo e, mesmo em momentos em que tivemos divergências políticas e ideológicas, sempre reconheci nele características importantes: empenho, dedicação, humanidade, capacidade de diálogo e responsabilidade pública.
Leo nunca foi um político de extremos. Nunca se apresentou como homem de esquerda ou de direita. Sempre se posicionou como alguém de centro, com visão equilibrada e foco prático.
Isso se reflete inclusive em sua trajetória partidária. Passou por partidos de centro antigo PFL, esteve no PDT, tradicionalmente identificado como centro-esquerda, e hoje está no Republicanos, legenda que também ocupa espaço de centro no cenário nacional. Ou seja: nunca fez política baseado em radicalismo ou em fidelidade cega a um campo ideológico.
Por isso, considero injusta a tentativa de rotulá-lo como alguém “do governo” ou automaticamente alinhado à esquerda. A trajetória dele mostra independência.
Durante a pandemia, por exemplo, quando era secretário de Saúde de Salvador, fez reconhecimentos públicos ao governo Bolsonaro pelo envio de recursos, estrutura e apoio à saúde do município. Agora, como deputado federal, exerce seu mandato em um partido que não integra a base principal do governo Lula.
Esse histórico demonstra algo simples: Leo costuma reconhecer aquilo que considera correto, independentemente de quem esteja no poder.
No caso da PEC 6×1, acredito que ele terá a sensibilidade de compreender os dois lados. Entende a importância de melhorar a vida do trabalhador, oferecendo mais dignidade e melhores condições de trabalho. Mas também conhece a realidade de quem empreende.
Sabe que o empresário brasileiro, especialmente o pequeno e médio, sofre com alta carga tributária, burocracia pesada e custos elevados para contratar e manter empregos. Sabe também que esse setor sustenta boa parte da economia real do país.
Por isso, qualquer mudança na jornada de trabalho precisará vir acompanhada de reformas estruturais: uma reforma tributária séria e uma modernização trabalhista justa, para evitar informalidade, perda de direitos e dificuldade ainda maior para novas contratações.
Na minha leitura pessoal, Leo Prates tem plena consciência desse cenário. O diálogo não faltará. Ele ouvirá empresários, trabalhadores, especialistas e parlamentares de diferentes correntes para construir um relatório técnico e equilibrado.
Se irá agradar mais a um lado ou a outro, ninguém pode afirmar agora. O tema é complexo demais para soluções simples. Mas uma coisa considero certa: dedicação, escuta e responsabilidade não faltarão nessa missão.
Siqueira Costa Júnior, 51 anos.Há mais de 20 anos acompanhando a política baiana e brasileira a partir da vida real, fora dos gabinetes.Empreendedor, motorista de aplicativo, filho, pai e avô. Um cidadão comum que trabalha, paga impostos e não abriu mão de cobrar.Acredita que o melhor assistencialismo é o trabalho, que dignidade não se distribui e que honestidade não é discurso — é prática.Esta coluna é independente, crítica e sem concessões ao poder. Reflete meu pensamento, aqui tenho o direito de expor o que penso sem ofender, apenas opinar.






















