Multidões de manifestantes tomaram as ruas em várias cidades do Irã nesta quinta‑feira (9), marcando o 40º dia do assassinato do líder supremo da República Islâmica, Seyyed Ali Khamenei, morto por bombardeio de Israel e Estados Unidos (EUA) no primeiro dia da guerra.

Os veículos de imprensa iranianos cobriram amplamente os acontecimentos, evidenciando o apoio popular ao regime político contestado pelas potências ocidentais. Também foram homenageados os altos dirigentes políticos e militares mortos nos quase 40 dias de conflito, bem como as 168 meninas vítimas do ataque à escola de Minab.
“A procissão fúnebre iniciou‑se na manhã de quinta‑feira, com os participantes marchando da Praça Jomhouri até o local onde o aiatolá Khamenei foi assassinado”, informou a mídia estatal Press TV, acrescentando que as homenagens ocorrem em centenas de cidades do país.
A cerimônia em Teerã se estendeu até a noite. Em vídeos transmitidos pelas emissoras locais, pode‑se ver milhares de pessoas marchando em diferentes cidades, carregando bandeiras do Irã e imagens das principais lideranças, além das crianças mortas no ataque à escola.
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Apoio ao regime
O antropólogo Paulo Hilu, coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense (UFF), ressaltou à Agência Brasil que, embora exista uma oposição significativa à República Islâmica, há setores que sustentam o regime.
“Existe uma base de sustentação da República Islâmica na sociedade. São setores que são ideologicamente ou politicamente, ou por interesses pessoais, ligados à manutenção da República Islâmica. Não se trata de uma unanimidade, é uma sociedade dividida”, disse.
O especialista ainda afirma que a agressão contra o Irã tem feito críticos do regime “passarem a preferir que o governo consiga se defender e salvar o Irã de uma invasão estrangeira ou de uma destruição total”.
Mais de 3 mil pessoas foram mortas pelos ataques israelense‑estadunidenses no Irã durante a guerra, informou nesta quinta‑feira (9) a Organização de Medicina Forense do Irã, sendo que 40% dos mortos ainda não foram identificados.
Protestos
Protestos contra a agressão israelense‑estadunidense foram registrados no Irã ao longo de toda a guerra, mesmo sob bombardeios dos inimigos. No dia do ultimato de Trump, que ameaçou um genocídio contra a população iraniana, grupos foram às ruas proteger instalações elétricas e pontos estratégicos anunciados pela Casa Branca.
Depois do assassinato, Ali Khamenei foi substituído pelo filho, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que prometeu vingança “pelo sangue de seus mártires” mortos por Israel e EUA, incluindo o pai e familiares abatidos no ataque de 28 de janeiro.
Autoridades iranianas alegam que Khamenei optou pelo martírio, recusando‑se a buscar abrigos subterrâneos. Ele foi alvejado no escritório localizado em sua própria residência. Na cultura política do islamismo xiita, o martírio é considerado motivo de honra e glória.
Líder Supremo.
No Irã, o Líder Supremo é eleito pela Assembleia dos Especialistas (ou dos Peritos), composta por 88 clérigos religiosos escolhidos por voto popular. Embora o cargo seja vitalício, a Constituição iraniana permite que a Assembleia destitua o Líder Supremo.
Durante 36 anos como Líder Supremo, Ali Khamenei ocupou o topo da estrutura de poder da República Islâmica do Irã, que, além do Executivo, do Parlamento e do Judiciário, inclui o Conselho dos Guardiões, formado por seis membros indicados pelo Líder Supremo e seis indicados pelo Parlamento.
O Líder Supremo atua como uma espécie de poder moderador no Irã. As Forças Armadas estão diretamente subordinadas a ele, e não ao Executivo.
A República Islâmica do Irã foi instaurada em 1979, após a revolução que encerrou 54 anos da dinastia Pahlavi, derrubando o monarca Reza Pahlavi, aliado próximo das potências ocidentais, e dando início às atuais hostilidades entre EUA e Irã.
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