Levantamento da Veritá aponta alternância de lideranças entre João Roma, Rui Costa e Jaques Wagner, enquanto ACM Neto aparece competitivo frente ao governador Jerônimo Rodrigues
Uma nova rodada de pesquisas eleitorais divulgada pelo instituto Veritá trouxe um retrato ainda indefinido — e altamente volátil — da disputa política na Bahia. O levantamento apresenta cenários variados tanto para o governo do estado quanto para o Senado, com mudanças relevantes de posição entre os principais nomes.
Em alguns recortes, o ex-ministro João Roma aparece à frente de figuras consolidadas como Jaques Wagner e Rui Costa. Em outras simulações, o senador Ângelo Coronel surge competitivo, compondo cenários em que Wagner sequer aparece entre os principais postulantes.
leitura fria do cenário
O dado mais relevante aqui não é “quem está na frente”, mas sim a instabilidade estrutural da corrida. Quando uma mesma pesquisa apresenta múltiplos cenários com líderes diferentes, o recado é claro: o eleitor ainda não está fidelizado.
Isso se conecta diretamente com três vetores:
- Fragmentação política reduzida, mas mais intensa internamente
A formação de federações partidárias diminuiu o número de candidaturas formais, mas aumentou a disputa interna por espaço. Menos partidos, porém mais conflito dentro deles. - Peso da eleição nacional
Historicamente, a Bahia vota alinhada ao cenário presidencial. Qualquer desgaste ou fortalecimento do governo federal tende a contaminar diretamente candidaturas estaduais — especialmente de nomes como Rui Costa e Wagner, que carregam esse vínculo. - Memória recente: erro das pesquisas em 2022
Na última eleição para governador, diversos institutos apontaram vantagem consistente de ACM Neto durante boa parte da campanha. O resultado final contrariou esse movimento: Jerônimo Rodrigues venceu, impulsionado por transferência de votos e pela máquina política.
Ou seja: pesquisa na Bahia, historicamente, mede momento — não garante desfecho.
Jogo ainda mais embaralhado
Se o governo já apresenta volatilidade, o Senado é ainda mais imprevisível. A presença de múltiplos nomes competitivos — como Roma, Coronel, Wagner e Rui — indica que a eleição pode ser decidida em margens estreitas, com forte influência de alianças de última hora.
Bastidores e percepção política
Nos bastidores, a leitura de parte da classe política é pragmática: há quem aposte na possibilidade de vitória em primeiro turno, especialmente se houver consolidação de um bloco oposicionista forte e desgaste do grupo governista.
Mas, olhando friamente, esse cenário ainda depende de uma variável-chave: unidade. Sem convergência, o risco de dispersão de votos é alto — e isso, na prática, costuma favorecer quem já está no poder.
Conclusão
O cenário baiano hoje é de alta competitividade e baixa previsibilidade. As pesquisas estão cumprindo seu papel: mapear tendências iniciais. Mas, na prática, a eleição ainda está longe de ter um desenho definitivo.
Tradução direta: quem está “ganhando” agora pode simplesmente estar largando na frente — não necessariamente cruzando a linha de chegada.
E na política baiana, como já ficou provado, largada não garante vitória.

















