Processo conduzido pelo governo da Bahia prevê lance mínimo milionário e ocorre em meio a disputas políticas e questionamentos sobre transparência e impacto ambiental
Durante sessão ordinária realizada nesta segunda-feira (23), na Câmara Municipal de Salvador, o vereador Claudio Tinoco criticou o leilão do antigo Centro de Convenções de Salvador, previsto para ocorrer na próxima quinta-feira (26). O parlamentar classificou o processo como inadequado e levantou questionamentos sobre a condução e os objetivos da iniciativa.
Segundo Tinoco, o leilão estaria sendo realizado em um contexto político sensível e poderia ter motivações relacionadas ao cenário eleitoral. O vereador também contestou a composição da área incluída no edital, destacando que o terreno total possui cerca de 188 mil metros quadrados, dos quais aproximadamente 71 mil m² seriam de área de proteção permanente.
De acordo com o parlamentar, a inclusão dessa área no certame levanta dúvidas sobre a necessidade e a legalidade da medida, além de apontar possíveis impactos ambientais. Ele também afirmou que o poder público deveria manter a responsabilidade direta sobre espaços considerados estratégicos para a cidade.
O leilão foi oficializado pelo governo da Bahia, sob gestão de Jerônimo Rodrigues, por meio da Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb), com a publicação do edital no Diário Oficial no início de março. O processo ocorre após entendimento entre a Procuradoria Geral do Estado da Bahia (PGE-BA) e a Procuradoria Geral do Município de Salvador (PGMS).
O ativo colocado à venda corresponde à área do antigo Centro de Convenções, desativado desde 2016 após problemas estruturais. O edital estabelece lance mínimo de aproximadamente R$ 141 milhões. A modelagem prevê que o comprador será responsável pela requalificação do espaço, podendo desenvolver projetos imobiliários e turísticos, respeitando as diretrizes urbanísticas e ambientais vigentes.
O governo estadual argumenta que a alienação do imóvel busca viabilizar a recuperação de uma área considerada estratégica, além de atrair investimentos privados para dinamizar a economia local. Por outro lado, críticos do projeto defendem maior transparência no processo e questionam os impactos urbanísticos e ambientais da iniciativa.
O desfecho do leilão deve influenciar diretamente o futuro de uma das áreas mais valorizadas da orla de Salvador, em um contexto que combina interesses econômicos, ambientais e políticos.
















