Liderança da Abrava projeta início do movimento para os próximos dias após assembleia estratégica no Porto de Santos.
A possibilidade de uma interrupção generalizada nos serviços de transporte de carga em todo o território brasileiro ganhou força nesta semana. Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), sinalizou que a deflagração do movimento pode ocorrer antes do próximo domingo. A entidade tem intensificado o diálogo com federações estaduais para alinhar uma data unificada, visando maximizar a adesão da categoria e a eficácia da mobilização.
O avanço da articulação é resultado de uma assembleia realizada na última segunda-feira (16) no Porto de Santos, em São Paulo. O encontro reuniu representantes de diversas regiões do país, que deliberaram pela paralisação em resposta a pautas econômicas, como a alta nos custos operacionais e do combustível. A estratégia atual da Abrava foca na coordenação logística entre os sindicatos e associações para garantir que o movimento tenha um impacto nacional simultâneo, evitando ações isoladas.
O cenário de incerteza evoca o precedente da greve de 2018, ocorrida durante a gestão de Michel Temer, que paralisou o país por 11 dias. Naquela ocasião, o bloqueio das rodovias causou um desabastecimento crítico de insumos básicos e gerou um prejuízo estimado de R$ 15,9 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB). Além das perdas diretas na produção industrial e no agronegócio, a paralisação de 2018 provocou um pico inflacionário imediato, com o IPCA saltando de 0,4% para 1,26% no período, evidenciando a dependência estrutural do Brasil em relação ao modal rodoviário.

















