As trocas de ameaças entre os Estados Unidos e o Irã têm intensificado a tensão no Oriente Médio, com potencial para impactar o preço do petróleo no mercado internacional e afetar outros países da região.

Os Estados Unidos enviaram o porta-aviões Abraham Lincoln, um dos seus maiores, para o Oriente Médio, e alertaram que poderiam lançar ataques “ainda mais severos” do que os ocorridos em junho de 2025, caso Teerã não aceite negociar um acordo para impedir o desenvolvimento de armas nucleares.
No ano passado, forças americanas e israelenses atacaram instalações militares e nucleares dentro do Irã. Em resposta, o país lançou mísseis contra Israel.
Em publicações nas redes sociais na quarta-feira (28), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que “o tempo está se esgotando”.
Segundo a mídia estatal iraniana, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, afirmou que o Irã não solicitou negociações e não teve contato com o enviado especial dos EUA, Steve Witkof.
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Estreito de Ormuz
As autoridades iranianas emitiram um alerta para a navegação marítima no Estreito de Ormuz, na saída do Golfo Pérsico, anunciando que realizarão exercícios militares na rota comercial por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
O fechamento do estreito já foi considerado uma possível retaliação aos ataques de junho do ano passado, e essa é uma das principais preocupações econômicas levantadas por analistas em relação ao aumento da tensão na região.
O Irã possui a terceira maior reserva de petróleo do mundo e é o quinto maior produtor. Além dele, outros membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait, estão localizados no Golfo Pérsico.
Economistas da agência Reuters indicaram que a “possibilidade de o Irã ser atacado” já elevou o preço do barril em até quatro dólares.
Protestos
A pressão de governos ocidentais sobre o Irã aumentou no início de 2026, impulsionada pelo aumento de protestos contra o regime teocrático que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979.
Confrontos entre forças de segurança e manifestantes resultaram em mais de 6 mil mortos, de acordo com organizações de direitos humanos, que também contabilizam mais de 40 mil presos. O governo iraniano informa que houve 3 mil mortos, classificando parte deles como terroristas.
Além de contestar a falta de liberdade política, os manifestantes protestam contra problemas como o alto custo de vida, em parte devido às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e seus aliados.
Teerã atribui os protestos à interferência estrangeira e tem implementado uma repressão severa, incluindo o bloqueio da internet no país.
Fontes da Reuters confirmam que Trump está considerando opções como ataques direcionados às forças de segurança e líderes iranianos, com o objetivo de inspirar os manifestantes a derrubar os governantes do Irã, que ameaçam atacar bases norte-americanas em países vizinhos, como o Catar e o Barein, em caso de intervenção.
A repressão aos protestos também gerou reação de países europeus, que aprovaram novas sanções contra autoridades e instituições iranianas e classificaram a Guarda Revolucionária Iraniana como uma organização terrorista.
“Quem age como terrorista deve ser tratado como terrorista”, disse a chefe da Diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, acrescentando que “qualquer regime que mata milhares de pessoas do próprio povo está a trabalhar para a própria queda”.
*com informações da Reuters, RTP e Lusa.
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