Em 2025, o Brasil registrou a segunda maior saída líquida de dólares na história, desde 1982, de acordo com dados preliminares divulgados nesta quarta-feira (7) pelo Banco Central (BC). O saldo cambial total foi negativo em US$ 33,316 bilhões, um valor superado apenas em 2019, quando a saída totalizou US$ 44,768 bilhões.

Apesar desse resultado significativo, a moeda brasileira, o real, se valorizou ao longo do ano, impulsionada pelos juros altos no país e pela desvalorização do dólar no mercado internacional.
Essa performance negativa foi impulsionada principalmente pelo setor financeiro, que apresentou uma saída líquida de US$ 82,467 bilhões em 2025, o segundo maior valor da série histórica, ficando atrás apenas de 2024. Este setor engloba investimentos estrangeiros, tanto diretos quanto em carteira, remessas de lucros, pagamento de juros e outras operações financeiras.
Em contrapartida, o setor comercial registrou uma entrada líquida de US$ 49,151 bilhões, que não foi suficiente para compensar a forte saída de recursos financeiros. Esse saldo positivo ficou abaixo do pico alcançado em 2007 e também menor do que o observado em 2024.
Importações
De acordo com o BC, a principal razão para a menor entrada de dólares via comercial foi o aumento das importações. O volume de câmbio contratado para compras externas atingiu US$ 238 bilhões, o segundo maior da série histórica, superado apenas por 2022.
As exportações somaram US$ 287,5 bilhões no ano. Diferentemente da balança comercial, que considera apenas as exportações e importações efetivamente realizadas, o fluxo cambial inclui operações como pagamentos antecipados e adiantamentos em contratos de câmbio.
Apreciação do real
Mesmo com a considerável saída de dólares no mercado à vista, o real se fortaleceu em 2025. Os juros elevados no Brasil e o enfraquecimento global do dólar incentivaram posições favoráveis à moeda brasileira no mercado de derivativos (ativos que derivam de outros ativos), compensando o fluxo cambial negativo.
O Banco Central, por sua vez, teve uma atuação limitada no mercado à vista, realizando apenas duas intervenções de US$ 1 bilhão cada, através do mecanismo conhecido como “casadão”. Nessas operações, o BC vende dólares das reservas internacionais, combinando com swaps cambiais reversos, compra de dólares no mercado futuro, na mesma quantia. O casadão permite que a autoridade monetária reduza a taxa de juros em dólar, sem impactar o câmbio.
Saída em dezembro
Em dezembro, o fluxo cambial apresentou um saldo negativo de US$ 13,562 bilhões, um valor inferior ao registrado no mesmo mês de 2024, quando a saída chegou a US$ 27 bilhões. Esse resultado reflete uma saída de US$ 20,982 bilhões pela conta financeira, parcialmente compensada por uma entrada de US$ 7,421 bilhões pela conta comercial.
Tradicionalmente, o mês de dezembro concentra remessas ao exterior para pagamento de dividendos. Em 2025, esses envios foram intensificados por empresas e investidores que buscaram se adiantar ao fim da isenção do imposto de renda sobre remessas internacionais, que passou a ser tributada a partir de janeiro de 2026.
Prévia
As relações monetárias e financeiras entre residentes e não residentes são mensuradas pelo balanço de pagamentos, divulgado no final de cada mês pelo Banco Central. O fluxo cambial, no entanto, funciona como uma prévia dos números, ao contabilizar adiantamentos de contratos de câmbio e pagamentos antecipados.
O fluxo cambial é composto por duas partes: o fluxo comercial, que mede o fechamento de câmbio para exportações e importações, e o fluxo financeiro, que mede investimentos em empresas, empréstimos e transações no mercado financeiro. Os dados do Banco Central demonstram que, no ano passado, a saída de dólares ocorreu principalmente no canal financeiro.
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