O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu nesta quarta-feira (12) sua gestão no processo referente à tentativa de golpe de Estado, que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, durante uma audiência no Senado. 

“Não houve criminalização da política em si. A atuação da Procuradoria-Geral da República não foi influenciada por ideologias partidárias”, afirmou Gonet, respondendo a questionamentos de senadores ligados ao ex-presidente que alegam perseguição política.
Paulo Gonet participou de uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que está avaliando a possibilidade de renovar seu mandato por mais dois anos.
O procurador-geral destacou que, no decorrer do processo da trama golpista, acordos de não persecução penal foram oferecidos a acusados que admitiram seus erros e se comprometeram com medidas reparatórias, preservando seu status de réu primário.
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Até 23 de outubro, 568 pessoas se beneficiaram desses acordos. Outros 715 foram condenados e houve 12 absolvições, sendo a maioria a pedido do Ministério Público Federal (MPF).
“É importante notar que 606 processos ainda estão em andamento, representando 32,3% do total. Esses números demonstram que a atuação do Procurador-Geral da República foi validada pela instância julgadora na maioria dos casos encerrados”, ressaltou.
Paulo Gonet enfatizou que suas manifestações se limitaram aos documentos do processo, evitando vazamentos e comentários públicos. “O sigilo judicial foi sempre respeitado integralmente”, acrescentou.
O procurador-geral também mencionou sua atuação no caso do escândalo de desvios no INSS, no acordo sobre o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, Minas Gerais, e no combate ao crime organizado.
Trama golpista
Senadores aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro criticaram a atuação do PGR no caso da trama golpista, julgada no Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte reconheceu a responsabilidade dos acusados por tentar convencer comandantes militares a anular as eleições e impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.
O filho do ex-presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusou Gonet de prejudicar a imagem do Ministério Público.
“O senhor se envolveu em um jogo sujo orquestrado por uma pessoa que, na minha opinião, está doente. No entanto, parece que o senhor está cumprindo ordens dele”, disse, referindo-se ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no STF.
O senador Flávio Bolsonaro também defendeu seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado pela Procuradoria-Geral da República de obstrução da Justiça por promover uma campanha nos Estados Unidos para impor sanções a ministros do STF e à economia brasileira.
“Ele [Eduardo Bolsonaro] foi aos Estados Unidos para denunciar os abusos de Alexandre de Moraes e Vossa Excelência está abrindo inquérito para persegui-lo, em vez de investigar as graves denúncias que estão sendo feitas. O senhor não tem vergonha de fazer isso?”, questionou o senador.
Em resposta às críticas sobre sua atuação no caso da trama golpista, Gonet reiterou que suas decisões não foram motivadas por questões partidárias.
“[Os processos da PGR] são resultados de uma avaliação cuidadosa e abrangente de todos os aspectos relevantes, conduzida de forma sóbria, consciente e respeitosa com os envolvidos”, declarou.
Durante a sabatina, Gonet mencionou a carta de apoio que recebeu da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) para a renovação de seu mandato.
No entanto, o senador Flávio Bolsonaro criticou o apoio da ANPR. “A classe dos membros do Ministério Público Federal, conforme declarado pelo representante de mais de 1.100 integrantes, a ANPR, apoia integralmente a renovação do seu mandato. Parece que não há constrangimento na classe em ter o atual Procurador-Geral à frente da carreira”.
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